Em coletiva de imprensa no Teatro FAAP, nesta segunda-feira (10), em São Paulo, Antônio Fagundes admitiu que a experiência profissional não interfere na tensão e nervosismo que antecedem uma estreia. O ator está em Restos, monólogo de Neil Labute, que entra no circuito teatral paulista dia 20.
"Estou sem respirar desde já. Isso porque ainda restam 10 dias para o espetáculo começar".
Dirigido por Márcio Aurélio (Agreste), Fagundes vive um fumante inveterado que repassa as lembranças da relação com a mulher, cujo corpo é velado, após morrer de câncer.
"O personagem fica viúvo, passa a refletir sobre sua vida, a sociedade e seus sentimentos. Ele começa a peça com 70 e termina aos 86 anos. Eu tenho 50, mas não pude esperar. O texto mexeu comigo".
O hábito de se comunicar com a plateia continua e, por isso, entre um cigarro e outro, Fagundes prometeu encarar o espectador para transferir a avalanche de emoções existentes na peça, na qual ele está sempre com o cigarro na mão (vale dizer que a lei antifumo não vale para os palcos):
"Em 43 anos de profissão, nunca fiz o mesmo espetáculo. Tudo muda, como a plateia, por exemplo", explicou. E mais: "Se eu mostrar a celebridade que eles pretendem ver, não é bom pra mim. Eu quero surpreender".
A qualidade do texto e a proposta de apresentação trouxeram a aprovação de patrocínio do Ministério da Cultura, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido. Porém, o ator a recusou:
"Não aceitei, porque tô cansado de ser chamado de ladrão. A produção é minha e, assim, eu coloco o preço de ingresso que quero".
Vale ressaltar que dia 11 de janeiro de 2010, Fagundes volta à tevê, como pai de Carolina Dieckmann, em Bom Dia Frankenstein, próxima novela global das sete.
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