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Procedimento trata doença pulmonar com anestesia local

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Uma técnica cirúrgica simples, realizada com anestesia local, está sendo testada há três anos na Santa Casa de São Paulo para tratar pacientes com enfisema pulmonar avançado.


O enfisema é uma doença progressiva das vias respiratórias, caracterizada pela dilatação excessiva dos alvéolos. Em 90% dos casos, a doença é provocada pelo cigarro, que inflama os brônquios, diminui o calibre na entrada dos alvéolos e destrói o tecido pulmonar.


Com o tempo, o paciente perde a capacidade de respirar normalmente, pois a troca gasosa fica debilitada e o ar fica acumulado nos pulmões (que aumentam de volume).


Estima-se que de 6% a 7% da população com mais de 40 anos tenha o problema -estudos recentes mostram que o índice é de 10% na cidade de São Paulo. Os tratamentos atuais incluem terapias medicamentosas, cirurgia para diminuição do volume pulmonar ou transplante.


Há mais de dez anos o pneumologista Roberto Saad Júnior, professor-titular da Faculdade de Medicina da Santa Casa, começou a testar técnicas para tratar a doença e, há três, passou a usar experimentalmente a cirurgia de implante de um dreno no pulmão.


A função do dreno é facilitar a saída do ar que ficou represado nos pulmões. Durante a cirurgia, o paciente recebe anestesia local (pouco acima da mama, do lado do pulmão mais doente) e um corte de 4 cm.


Em seguida, o médico pinça o pulmão e faz um pequeno orifício, onde será colocado o dreno de silicone de 7 cm de comprimento. O equipamento fica exposto ao ambiente, deve ser trocado semanalmente e será usado pelo resto da vida.


Saad já operou nove pacientes e os acompanhou durante três anos. No início, todos tinham indicação para transplante, dependiam de oxigênio para andar e dormir e não conseguiam mais realizar as atividades cotidianas. Eram pacientes que não respondiam mais aos tratamentos disponíveis.


Trinta dias após a cirurgia, os pacientes relataram melhora da capacidade respiratória. Meses depois, todos conseguiram retomar as funções rotineiras, abandonaram o aparelho de oxigênio e, pelo menos por enquanto, não precisam fazer o transplante.


"O enfisema é uma doença difícil, pois o doente morre sufocado no próprio ar. Essa cirurgia não cura o enfisema, mas corrige a principal dificuldade do pulmão, que é eliminar o ar acumulado. O dreno funciona como um novo nariz", explica Saad, autor da técnica.


"Apenas um dos pacientes operados morreu, mas por causa de um câncer na bexiga e não por causa do enfisema. Os outros estão muito bem, sobem e descem escadas, voltaram a trabalhar. Superaram as expectativas e melhoraram a qualidade de vida. É isso o que importa."


PUBLIFOLHA/PUBLIFOLHA
 
Os resultados dos testes com pacientes foram publicados no começo do ano no "Jornal Brasileiro de Pneumologia".


O pneumologista Alberto Cukier, coordenador da Comissão de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) da Sociedade Brasileira de Pneumologia, diz que a cirurgia de redução do volume pulmonar é o tratamento padrão desses pacientes com doença crônica, embora ela também não cure o problema definitivamente.


Ele considera a técnica da Santa Casa importante porque, aparentemente, serve como adiamento do transplante.


"A sobrevida do transplante é baixa. Cerca de 30% dos transplantados morrem no primeiro ano. Em cinco anos, outros 50% morrem. Essa cirurgia é paliativa, mas proporciona anos a mais de vida antes do transplante", diz Cukier.


O pneumologista Fernando Studart, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que a técnica parece promissora, pois vários pacientes não são elegíveis para receber o transplante ou a cirurgia redutora do pulmão e, consequentemente, ficam sem alternativas de tratamento.

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