Quem tem medo de altura (acrofobia) enfrenta alterações no equilíbrio postural, como indica uma pesquisa do Departamento de Neurociências e Comportamento do Instituto de Psicologia (IP) da USP. A dificuldade de se equilibrar pode originar, agravar ou manter o estado de medo em lugares altos. A acrofobia não tem como principal causa traumas psicológicos envolvendo altura. A descoberta aponta novos tratamentos para o problema, focados nas interações do corpo e da cognição.
A fisioterapeuta Catarina Boffino mostrou, em sua pesquisa, que o sistema vestibular - região do ouvido interno vital para o equilíbrio e percepção da sensação da gravidade - dos acrofóbicos não funciona bem. No dia-a-dia, eles compensam essa dificuldade se equilibrando com base nas informações que vêm da visão ou da superfície onde apoiam os pés. Como conseqüência, perdem o equilíbrio em lugares altos, onde ocorrem duas situações para os quais eles não estão preparados: necessidade de percepção visual de movimentos e interação entres os sistemas de neurônios responsáveis pela cognição e pelo controle do equilíbrio. O medo causado pela perda de controle do corpo se soma à fobia , que tem causas psicológicas. O resultado: vertigem, ansiedade e angústia que parecem desproporcionais.
A pesquisadora diz que muitos acrofóbicos relatam desconforto em outras situações que exijam interação entre percepção visual do movimento e equilíbrio, como, por exemplo, ao dirigir. Eles frequentemente não sabem dizer de onde vem essa sensação desconfortável, mas não há referência ao medo nem início de sinais de fobia . De acordo com Catarina, a ciência não sabe exatamente o que ocorre no sistema vestibular, mas a interação entre a doença psicológica e o desequilíbrio poderia ser a causa da dificuldade em controlar os sintomas da fobia e da esquiva de locais altos por estas pessoas. / com informações da Universidade de São Paulo (USP)
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