Alzira Espíndola e Ney Matogrosso têm muito mais pontos em comum além de terem nascido no mesmo Mato Grosso do Sul. Amigos de longa data, eles afinam na coerência e na profundidade artística com que conduzem suas carreiras musicais. Parceiro de Alzira em modernas obras-primas, o paulista Itamar Assumpção (1949-2003), gravado diversas vezes por Ney, é outro ponto de ligação entre eles. Hoje e amanhã, Ney participa do show Finalmente, que Alzira e banda fazem no Sesc Pinheiros.
Ambos apontam o encontro como uma decorrência natural, pelos motivos citados acima (e mais alguns). "Pode até parecer puxação de saco, mas acho Ney o maior, porque ele tem uma coerência como intérprete, os trabalhos dele são impecáveis. Eu aprendo muito com ele, porque vejo essa coerência no repertório, na sequência do show. Toda coisa que ele monta é um olhar que eu também gosto de ter sobre as minhas coisas", diz Alzira.
Conta também o fato de ambos fazerem o que gostam, o compromisso com a arte, sem preocupações mercadológicas. "Não tem isso mesmo. É tudo uma coisa inteira, que eu acho que é um respeito enorme com a criação. Porque o Ney, embora seja intérprete, é um criador", diz a compositora, que também é uma profunda intérprete não só da própria obra, mas quando se propõe a recriar a de outros autores. Bons exemplos são o antológico álbum Ninguém Pode Calar (2000), que fez dedicado ao repertório clássico de Maysa (1936-1977) e no encontro com a irmã Tetê, no não menos emocionante Anahí (1998).
"Sempre tive uma admiração muito grande pelo trabalho da Alzira", explica o cantor. "Estarmos juntos no palco foi uma coisa que nunca me preocupou, sempre soube que um dia estaríamos juntos." Daí o título, Finalmente, que, além de fazer referência ao encontro, é uma das mais belas parcerias da dupla gravadas por Ney. Além dessa, ele canta todas as outras nos shows de hoje e amanhã - Bomba H, Transpiração e Existem Coisas na Vida -, Ai Que Vontade (Itamar Assumpção) e mais alguma(s) que seria(m) definida(s) no único ensaio marcado para ontem à tarde.
A banda que os acompanha é formada por Luiz Waacl (guitarra), Du Moreira (baixo e teclados), Guizado (trompete), Marcelo Effori (bateria), Iara Rennó e Luz Marina (backing vocals). Du Moreira é o produtor do novo álbum de Alzira, Pedindo a Palavra, que está em fase de finalização e deve ser lançado entre março e abril. Nele, Alzira novamente assina parcerias com o poeta arrudA, com quem realizou o ótimo Alzira E, lançado pela Duncan Discos em 2007. Duas dessas novas canções com arrudA, Olhos de Chico Buarque e Beijos Longos (que também tem o irmão Jerry Espíndola como coautor), Alzira deve mostrar nestes shows. Da parceria com Alice Ruiz, há outra inédita, Nosso Presente.