Se uma criança se sente minimamente ameaçada pela violência observada entre os pais é possível que ela desenvolva sintomas de estresse pós-traumático, sugere pesquisa.
O estudo, feito por um time de pesquisadores da Universidade Metodista do Sul, EUA, chegou à conclusão de que as crianças somente não reportavam nenhum trauma caso não percebessem a violência vivida como sinal de ameaça. Isso, dizem os pesquisadores, apontaria para a necessidade de entender como as crianças enxergam a presença de um perigo quando os pais brigam.
“Nossos resultados indicam que a relação entre a percepção de ameaça nas crianças e os sintomas de trauma também se correlacionam com o nível de violência do seu entorno”, explica Deborah Corbitt-Shindler. “E mesmo um nível muito pequeno de violência, se interpretado pela criança como algo ameaçador, pode levar ao desenvolvimento de sintomas de trauma nesses indivíduos.”
Os especialistas estimam que mais da metade das crianças expostas a ambientes violentos desenvolve esses sintomas, que normalmente vêm acompanhados de pesadelos, pensamentos negativos e tentativa de fugir das memórias.
Na pesquisa, feita paralelamente com pais e filhos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que uma ameaça, para as crianças, é algo associado à possibilidade de alguém ser ferido durante uma discussão, à instabilidade familiar – possível separação dos pais – e à sensação de abandono – sensação de que os pais não poderão cuidar deles.
O estudo também apontou que quando as crianças não viam a briga os sintomas de trauma se amenizavam. Mas foram observados casos em que, mesmo que as crianças tenham sido poupadas das situações, os sentimentos das mães muitas vezes se reflexiam nas crianças entrevistadas. Isso quer dizer que crianças com mães traumatizadas pela violência doméstica, de alguma maneira, também mostravam respostas similares. Essa correlação, entretanto não foi detalhada pelo estudo, mas pode gerar outros questionamentos em pesquisas futuras. / com informações da Southern Methodist University