A onda de frio que assolou o Estado na semana passada ocasionou a morte de 2.927 bovinos em 15 municípios da região sul do Estado. Apesar de boa parte dos municípios estarem localizados na Zona de Alta Vigilância Sanitária (ZAV), não há quaisquer relação entre a febre aftosa e a mortandade recente.
A diretora-presidente da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), Maria Cristina Galvão Rosa Carrijo, explica que a agência, por intermédio de suas inspetorias regionais, vem prestando a devida assistência aos produtores que tiveram prejuízos: “Nossas equipes têm visitado as propriedades rurais afetadas e orientado os produtores quanto aos procedimentos de enterrio das reses mortas. Além disso, têm informado aos produtores para observarem os animais que sobreviveram, de forma que prestem assistência médicoveterinária em tempo, caso haja algum sintoma de doenças respiratórias. Enfim, a Iagro tem cumprido bem o seu papel”.
Na ocasião, a queda brusca da temperatura, aliada a outros fatores, ocasionou a morte dos bovinos: “A maioria dos animais comprometidos são da raça Nelore, com idade entre 8 e 12 meses, ou seja, eram novos, estavam em situação de estresse por estarem recém separados das matrizes. O gado nelore é de origem indiana, estando adaptado a temperaturas tropicais. Há pouca oferta de alimentos, já que estamos na época da seca, e há pouca qualidade dos alimentos, em consequência, os animais estavam sem gordura, sem reservas de energia, sendo assim, vulneráveis a doenças”.
Os procedimentos técnicos a serem feitos são os seguintes: o gado morto deve ser enterrado em valas com pelo menos 1,5 metro de profundidade, de preferência em áreas de terrenos elevados, longe de mananciais ou rios. Se possível, a agência orienta ainda que a área seja cercada para evitar que animais silvestres alimentem-se dos restos mortais e espalhem zoonoses. Contudo, esta não é a primeira vez que isso acontece no Estado. Na década de 1970 houve dois casos parecidos, durante duas grandes geadas.
Economia estável
Contrariando especulações da mídia nacional veiculadas recentemente, a médica veterinária adianta que não há possibilidade de alta no preço da carne: “Mato Grosso do Sul tem 20 milhões de cabeças de gado. Nós sentimos muito pelos produtores afetados, mas o número de animais mortos não chega a 0,02% do rebanho do Estado, então isso não refletirá na economia. E mais: trata-se de gado magro, que não vai para o abate em curto prazo”.