A solidariedade flui forte em momentos de tragédia? Sim e não! Nos últimos dias não foi difícil ver um grande número de pessoas sendo solidárias as vítimas das enchentes do Rio Aquidauana. Muitas, obviamente, cumpriam o seu dever, estando agregada a alguma instituição que presta serviços a comunidade, como os funcionários públicos de várias autarquias. Outros, deram provas de que fazem uma leitura correta daquilo que move sua fé. Foi o caso específico de membros da Comunidade Cristã de Aquidauana, pastoreada por Paulo Murback, que abriram mão do tradicional Retiro Espiritual do Retiro de Carnaval, para doar alimentos aos desabrigados.
Mas, nestas situações, sempre aparecem os exploradores. E isto não é novidade. É tão antigo como a própria história. O Velho livro sagrado já alertava, há milênios sobre os lobos. Dentre os exemplos negativos registrados por nossa Reportagem está o transporte de pessoas por valores absurdos, quando esse ainda era feito por veículos maiores. Como é sabido, muitos caminhões foram usados para este fim entre Aquidauana e Anastácio e vice versa. Em alguns casos o valor da travessia chegou a custar R$ 200. "Isto que é aproveitar da desgraça alheia", desabafou uma transeunte, que prefetiu fazer o trajeto a pé, com os riscos naturais que uma caminhada como essa oferece.
Com o final do feriado de carnaval, a travessia de pedestre está sendo feita só pela passadeira colocada pelo 9º BEC e por barcos. A fila está cada vez maior.