A morte pode vir sem avisar em tragédias e fatalidades, ou lentamente pela doença; mas uma hora ela chega. Não nos cabe filosofar ?sobre? ela, pois já viemos nesse mundo ?para? ela.
Interessante, entretanto é observarmos seu ?estilo?, como se para brindar a pessoa que leva. Dia 29 passado o Rubão se foi. Ficou sabendo 90 dias atrás que era portador de um tumor maligno. Lutou contra ele como lutou por tudo na vida. Obstinado, confiante, com programações e estratégias definidas.
E como tudo na vida nem sempre se obtém êxito, mais uma vez ele foi conformado, disciplinado e paciente. Enfrentou-a com postura, dignidade e coragem de poucos. Excessivamente organizado, preparou tudo em detalhes. Fez recomendações, agradecimentos, enquanto a memória lhe permitiu. Até se despediu de mim. E foi gradativamente perdendo a vida para ela.
Rubens Machado Ferreira não foi grande apenas no apelido de Rubão. Em 78 ingressou na carreira militar até se aposentar em 2008. Trinta anos de dedicação e competência reconhecidas por seus colegas de farda. Na aeronáutica conheceu o Brasil e muita gente. Contava histórias com detalhes e entusiasmo permitindo aos interlocutores vivenciar suas experiências.
Foi grande também como mestre. Aposentado dedicou-se a outra paixão: A biologia e o magistério. A julgar pelos inúmeros alunos presentes em seu velório, foi um profissional vibrante e justo. Foi homenageado aos prantos por inconformados adolescentes, colegas e diretores de instituição de ensino.
A morte até tem seu lado bom. Evidencia tudo de construtivo que fizemos em vida. Naquele velório lotado não tinha nada de protocolar, ao contrário, dava a impressão que cada um ali tinha sua própria história para compartilhar. Rubão foi grande como pessoa humana. Gostava de coisas simples, retidão de caráter, respeito ao próximo, dignidade, senso de humor e tudo o que ouvimos dos saudosos mestres Ênio e Circe. A fruta não caiu longe do pé, e quantas coisas aprendemos com todos eles, que agora estão juntos.
Rubão foi grande mesmo como chefe de família. E chefe não é o que oprime, mas o que provê, que compreende, que perdoa, que ama incondicional, o que protege sua prole, sua genética. Foi tão grande nisso que extrapolou as fronteiras do lar. Tornou-se um grande exemplo para todos os amigos que presenciaram sua trajetória.
Descanse em paz Rubão. Será grande eternamente em nossa memória.