X

Nada melhor do que conhecer Heliophar do que através de suas próprias palavras. Neste ano as escritoras Maria da Glória Sá Rosa e Albana Xavier Nogueira lançaram a obra ?A LITERATURA SUL-MATO-GROSSENSE NA ÓTICA DE SEUS CONSTRUTORES?.
 
À página 140, Heliophar é o focalizado e ele assim se expressou:
 
Heliophar de Almeida Serra é o meu nome. Pertenço à família dos Almeida Serra, descendentes diretos do engenheiro militar português Ricardo Franco de Almeida Serra, que se cobriu de glória em 1801, ao defender o Forte Coimbra, rechaçando e derrotando poderosas investidas da frota espanhola, comandada por Don Lázaro Ribera y Espinoza, Governador de Assunção no Paraguai.
 
Sou filho de Arnaldo Olavo de Almeida Serra e de Joana Julia Barbato de Almeida Serra e nasci em Corumbá-MS. Sou casado com Dirce Jordão Serra, jornalista, responsável por uma coluna social semanal no jornal O Pantaneiro, de Aquidauana, com quem tenho dois filhos: Arnaldo, casado com Maria Luiza Arruda de Almeida Serra, pais de Heliophar Arruda Neto e Indiara; Cláudio, casado com Márcia Portocarrero de Almeida Serra, pais de Cláudio Filho e Júlia.
 
Estudei no Grupo Escolar Joaquim Murtinho, no Colégio Osvaldo Cruz e no Ginásio Dom Bosco, em Campo Grande-MS e no Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói-RJ. Formei-me em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, da Universidade de Brasília. Após terminar os estudos, estabeleci-me em Campo Grande onde assumi as funções de Tabelião e Escrivão do Cartório do 5º ofício, em substituição temporária de meu irmão  Ulisses Serra. Mais tarde, fui Delegado de Polícia e Delegado Especial do Sul do Estado. Também fui Juiz de Direito, por concurso, das comarcas de Miranda e de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul.
 
Considero que essa foi uma fase muito rica em minha vida. Nela consolidei amizades antigas, cultivei outras e, ainda, aprendi a conviver com diferentes tipos de pessoas, o que me ajudou a conhecer melhor as reações dos seres humanos. Quando fui promovido a Desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso uno, mudamo-nos para Aquidauana, onde aprimorei minhas curiosidades sobre a alma humana e fiz amizades inesquecíveis.
 
Ingressei no Rotary Clube de Aquidauana, fui Governador do Distrito Rotário 4470, tendo tomado posse nos Estados Unidos. Fui Presidente da OAB, Subsecção de Aquidauana. Exerci as funções de Professor de Filosofia, História da Educação e de Sociologia, na Escola Normal Jango de Castro de Aquidauana.
 
No transcurso de minha vida profissional e social tenho recebido várias homenagens e premiações como Medalha de Ouro do Colégio Santa Rosa, de Niterói e Diploma de Honra, outorgado pelo Rotary Clube. Recebi da União dos Jornalistas de Aquidauana, Diploma de Jornalista Honorário, e guardo com orgulho os títulos de cidadão aquidauanense e cidadão anastaciano, concebidos respectivamente, pela Câmara Municipal de Aquidauana e Câmara Municipal de Anastácio. Também fui homenageado com a Medalha do Centenário de Aquidauana. No Palácio Popular de Cultura, em Campo Grande, coube-me ser nome da sala de comissões: Sala de Comissões Heliophar de Almeida Serra.
 
Pertenço à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e sou autor de três obras de crônicas: A fascinante natureza humana, publicada em1981; Fragmentos do cotidiano, editada em 1995; As flores que não morrem, publicado mais recentemente, em 2008.
 
Quero registrar, nesta oportunidade que, ainda hoje, decorridos longos anos, mantenho o maior respeito e admiração pelo Pe. José Nunes, do Colégio Dom Bosco de Campo Grande, já falecido, que foi quem primeiro despertou em mim o amor pela escrita e pela leitura. Lembro-me de que, quando substituiu, no Ginásio, o professor titular das aulas de Português, constatou que somente conhecíamos a sintaxe pela sintaxe. Sabíamos identificar, na frase, o sujeito, os complementos direto e indireto. Porém em compensação, éramos incapazes de redigir um simples bilhete. Para corrigir essas falhas passou a dar-nos temas para serem desenvolvidos, aplicando os conhecimentos adquiridos nas aulas de Português.
Não contente com isso, montou uma biblioteca no seu amplo quarto de dormir, lotou-a de livros atraentes e de fácil leitura e alugava cada volume por cinqüenta centavos. Depois, foi adquirindo livros mais sérios e fazendo-nos recomendações de leitura de autores como José de Alencar, Joaquim M. Macedo, dentre outros. Foi dessa forma que aprendemos a gostar de ler os livros de Literatura Brasileira.
 
Ainda jovem, comecei a ler Os Sertões, a monumental obra de Euclides da Cunha. Não gostei. Estranhei a matéria árida, o estilo diferente do que até então tinha lido. Quase desisti. Um amigo, porém, aconselhou-me a começar a leitura pela terceira parte do livro, intitulada O Sertanejo. Deu certo, pois consegui ler e gostei da obra inteira. Muitos livros me encantaram na vida, dentre eles: O ateneu, de Raul Pompéia; O guarani, de José de Alencar. O choque das raças, de Monteiro Lobato; O profeta, de Gibran Khalil Gibran; 1984, de George Orwell; Baú de ossos, de Pedro Nava; O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Márquez; Chão bruto, de Hernani Donato; Missão em Portugal, de Álvaro Lins; Balaio de bugre e outros livros de Hélio Serejo.
 
Assim, lançadas as primeiras sementes, o desejo e o prazer de escrever foram surgindo naturalmente em minha vida. Como Juiz de Direito, por longo tempo, conheci os mais variados tipos de pessoas: o educado, o desaforado, o mentiroso, o safado, o pilantra. Ao aposentar-me da Magistratura passei a gozar de mais folga. Resolvi, então, focalizá-los em crônicas. Escrevi o primeiro livro e batizei-o com o nome de Sangue no Pantanal. Ao mostrá-lo ao grande amigo, professor Hildebrando Campestrini, ele foi incisivo: Excelente o livro, Heliophar, mas péssimo o título, troque-o. Embora reconhecendo justa a observação concordei de má vontade. Pensei em vários títulos e escolhi o que mais me agradou: A fascinante natureza humana, e, com esse título o publiquei. Perdi a timidez, escrevi mais dois livros, sempre procurando compreender o ser humano e suas atitudes.
 
Não posso me queixar sobre ao mercado de livros no Estado. Tenho vendido bem as minhas obras e algumas já se acham esgotadas. Nos últimos anos aumentou substancialmente o mercado de livros, com o lançamento de novas obras. Tudo isso soa como incentivo a mais ao escritor, às editoras e livrarias. A despeito das dificuldades inerentes à produção de livros, temos visto o surgimento de autores cada vez mais jovens e entusiasmados. As escolas estão mais abertas ás criações poéticas dos alunos, inclusive editando antologias estudantis.
 
O surgimento de blogs e sites na internet ampliou o espaço da criação autoral, atraindo as pessoas para se tornarem protagonistas da arte, com a ajuda das novas tecnologias. As próprias livrarias virtuais tornaram-se opção de mercado, dando visibilidade aos trabalhos e criando facilidades nas compras e, com isso, aumentando o consumo.
 
Tanto o Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet, com a política de incentivos fiscais que possibilita às empresas e cidadãos destinarem parte do imposto de renda às produções culturais quanto o próprio governo de Mato Grosso do Sul, com a criação da lei estadual de incentivos á cultura, vêm proporcionando oportunidade e apoio oficial aos novos escritores, sem, no entanto, esquecer-se dos autores tradicionais.
 
O hábito da leitura precisa ser trabalhado mais, com tarefas específicas da didática, diante da facilidade e virtualidade da TV e da internet, que induz à produção literária, e também, parece, ao mesmo tempo substituir a leitura textual pela leitura das imagens gráficas. No entanto, as vozes que trazem leituras de obras pela internet reaproximam a Literatura de suas origens greco-romanas, quando a poesia era mais representada pela oralidade.
 
Existem centenas de escritores extraordinários em nosso Estado e seria injusto deixar de nominar todos. Mas podemos citar a poesia de Manoel de Barros, para nos representar dado ao seu reconhecimento nacional.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Base da Força Tática e Canil podem ganhar revitalização em Aquidauana

SEGURANÇA PÚBLICA

Base da Força Tática e Canil podem ganhar revitalização em Aquidauana

Proposta prevê melhorias na estrutura localizada no Conjunto Ovídio Costa; espaço também poderá receber projetos sociais e atividades esportivas

Coincidência de datas aproxima Esther da delegada que a resgatou

Recomeço

Coincidência de datas aproxima Esther da delegada que a resgatou

Filhote nasceu exatamente um ano após a delegada Tatiana Zyngier e Silva perder um cachorro de quem era muito próxima; agora, Esther vive cercada de carinho ao lado de outros três cães

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo