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Um orgulho aquidauanense

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As homenagens póstumas devem ser pouco apreciadas pelos mortos. Por isso muitas personalidades são homenageadas em vida.
 
Assim, admirem a arte e exaltem seus artistas para que eles em sorriso morram nos braços da honra e no leito da glória. Porque o que dói não é a morte, mas a desonra e o esquecimento. 
Por falar em arte, nunca me cansei de contemplar as cômodas e suntuosas dependências do Palácio Popular da Cultura, no Parque dos Poderes, em Campo Grande ? aquele monumento arquitetônico, entre árvores naturais, traçado pela sutileza e inteligência do arquiteto Ruben Gil De Camilo para a comodidade da cultura sul-mato-grossense.
 
É uma obra e tanto.
 
Um misto de concreto e almofadas, espelhos e pedras, luzes e cores, espaço e luxo, segredos e jardins. Um aconchego digno para a arte e seus artistas, exposições, saraus, conferências e shows.
 
Certa vez encontrava-me anódino a vagar pelo saguão do palácio, como se quisesse descobrir algo mais em suas entranhas. Na verdade perdera-me na poesia daquelas pedras, nas palavras daquele silêncio e no ócio da imaginação.
 
Meus olhos maravilhados se arrastaram de inveja por dentro e por fora daquele prédio, numa investigação aguçada e prazerosa. E, sem que me desse conta, atravessaram as vidraças da sala principal e se foram colar na parede interna sobre um letreiro moldado em ouro, cuja composição gráfica formava o nome de uma pessoa ? dada a proporção das letras só podia tratar-se de uma grande personalidade.
 
O meu olhar, ainda agarrado àquele nome que em alto relevo emprestava-se a denominar a sala de comissões, trouxe-me a identificação final. Era mesmo o de um ilustre cidadão sul-mato-grossense: um aquidauanense, querido e imortal, que recebera em vida, da Cultura do nosso Estado, esta digna e merecida homenagem.
 
Aquela agradável surpresa despertou em mim a alegria e o orgulho de ser aquidauanense, mesmo não tendo nascido em Aquidauana. O prazer de ser amigo do homenageado, mesmo estando aquém de sua grandeza. A satisfação de ser confrade desse escritor, mesmo não tendo o talento de sua verve literária. Essa pessoa fantástica dispensa maiores comentários, porque é um exemplo de vida e porque tanto orgulho já deu a Aquidauana e a nossa Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
 
Querem saber quem é esse misterioso homenageado que meus olhos descobriram em letras flamejando no Santuário Cultural do Estado? A sua vaidade não se assanha por isso, nem a sua simplicidade me permitiria alardear este tributo. Mas está lá, escrito em ouro, para imortalizá-lo e orgulhar Aquidauana, no Palácio Popular da Cultura: ?SALA DE COMISSÕES HELIOPHAR DE ALMEIDA SERRA.?

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