Para explicar as formas de prevenção, os fatores de risco e os tratamentos disponíveis, o Bem Estar desta quinta-feira (4) contou com a presença do urologista Marcelo Vieira e do nefrologista Celso Amodeo, que cuidam dos sistemas urinário e renal, respectivamente.
Segundo os médicos, no caso de receitas caseiras, como o chá de quebra-pedra, não é a folha que desfaz o cálculo renal ou ajuda o sistema urinário a expelir a pedra, mas sim a água do chá. Se a pessoa tomar um litro de água ou de chá, o efeito é o mesmo: o importante é beber líquido (pelo menos 2 litros por dia).
Outra recomendação é cuidar para não exagerar na quantidade de ervas do chá, pois algumas, em excesso, podem ser tóxicas. Os pacientes também podem ingerir chás diuréticos, mas não cerveja, já que o álcool contribui para formar mais cálculos, em vez de ajudar a expelir o que já existe no rim.
Alimentos industrializados, ricos em sódio ou cálcio devem ser evitados ou consumidos com moderação por pessoas propensas. Camarão, calabresa, amendoim, castanha do Pará, leite e derivados são alguns exemplos.
Além de fontes de cálcio, os frutos do mar contêm altas doses de ácido úrico, um dos principais fatores para a formação de pedras.
Funcionamento dos rins
Os rins têm de 1 milhão a 2 milhões de filtros que separam líquidos e resíduos do corpo, produzindo urina. Ambos estão localizados atrás dos órgãos abdominais e abaixo das costelas, mais ou menos no meio das costas. O direito costuma ficar mais baixo que o esquerdo.
Se a pedra estiver alojada no rim ou no trato urinário superior, a dor ? aguda ? geralmente começa em uma área de flanco (ao lado das costas, próximo da cintura) e geralmente se irradia para a virilha. O médico normalmente faz um exame físico, tocando a parte de trás, sobre os rins, e pressionando o abdômen.
Boa parte dos casos poderia ser evitada se as pessoas tomassem mais líquidos e ingerissem menos alimentos gordurosos e industrializados. Indivíduos cujas dietas são ricas em proteína animal e pobre em fibras e líquidos podem ter maior risco.
Obesidade e ganho de peso também estão associados às pedras nos rins. Pessoas com índice de massa corporal (IMC) elevado e maior circunferência da cintura podem ter mais cálcio e ácido úrico na urina, o que aumenta o risco de formação de cálculos renais.
Exames de diagnóstico
- Raio X dos rins, ureteres e bexiga. As pedras de cálcio podem ser identificadas nas radiografias por sua cor branca
- Tomografia computadorizada helicoidal, que identifica outras causas de dor na região dos rins. É melhor que o raio X, ultrassom e urografia infravenosa. Pode até identificar as substâncias químicas presentes em uma pedra
- Ultrassom pode detectar pedras claras, de ácido úrico, e a obstrução no trato urinário. Não é útil para encontrar pedras muito pequenas
- Urografia excretora (PIV) é um procedimento invasivo. O médico injeta um corante no paciente e usa o raio X para mapear o trato urinário
- urografia intravenosa (IVP) é feita para confirmar a presença de pedras nos rins, apesar de algumas serem tão pequenas que nem aparecem. também é injetado um corante no paciente e o raio X mostra o trato urinário
- Exames de urina analisam a acidez e a presença de cristais, infecção ou substâncias químicas que inibem ou promovem a formação de cálculos
Procedimentos disponíveis
- Litotripsia extracorpórea (ondas de choques) - taxa de sucesso é de 70%
- Cirurgia percutânea (substitui a aberta) ? é feita uma incisão de 1 cm nas costas
- Cirurgia endoscópica ? realizada pela via urinária
- Duplo J ?usado em cálculos parados no ureter (entre a bexiga e o rim), com objetivo de desobstruir o rim