O papa Bento XVI advertiu nesta segunda-feira na Missa do Galo, celebrada na véspera de Natal, que a rejeição a Deus pelo mundo contemporâneo leva à rejeição do próximo. "Estamos completamente repletos de nós mesmos, de modo que já não há espaço para Deus. Também não resta espaço para os outros, para as crianças, os pobres, os estrangeiros", disse o pontífice na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Bento XVI citou a passagem do Evangelho onde José e Maria não encontram pousada em qualquer hospedaria de Belém para abrigar o nascimento de Jesus e perguntou: "O que ocorreria se José e Maria batessem hoje na nossa porta? Haveria lugar para eles? Daríamos de fato abrigo a Deus?".
Mostrando cansaço, o papa percorreu a imensa basílica em uma plataforma móvel, acompanhado por coral em latim, música de órgão e som de trombetas. Na cerimônia de mais de duas horas, Bento XVI refletiu também sobre a violência motivada pela região e alertou contra a "distorção do sagrado".
Intolerância - "É certo que o monoteísmo serviu durante a história como pretexto para a intolerância e a violência. É verdade que uma religião pode se desviar e chegar a se opor à natureza mais profunda quando o homem pensa que deve tomar em suas mãos a causa de Deus, fazendo de Deus sua propriedade privada. Devemos estar atentos contra a distorção do sagrado", advertiu.
"Mas mesmo que seja incontestável um certo uso indevido da religião na história", continuou. "Não é verdade que o 'não' a Deus restabeleceria a paz. Se a luz de Deus se apaga, se extingue também a dignidade divina do homem", disse Bento XVI.
O papa, que celebrou a missa com o auxílio de cerca de 30 cardeais, rezou pela paz na Palestina, Síria, Líbano e Iraque para que os cristãos possam "conservar sua morada" nestes lugares e para que "cristãos e muçulmanos possam construir juntos seus países na paz de Deus". (Com agência France-Presse)