Viajar o dia inteiro pelo Deserto de Sechura, no Peru, exigiu bastante disposição por parte dos aquidauanenses Mac, Wilson, Rhobson e Leonel, que realizam expedição de Jeep pela América do Sul. Eles precisaram encarar um vento forte, uma areia que parecia não ter fim e ainda se surpreenderam com o fato de muitas pessoas viverem naquele lugar.
Para repor as energias, os aventureiros resolveram preparar um arroz carreteiro, tipicamente pantaneiro, antes de seguirem viagem rumo ao sul do Peru. No trajeto, avistaram uma cena que chamou a atenção de todos. Um ciclista norte-americano, vindo da Califórnia, surgiu em meio à imensidão das areias desérticas, em expedição solitária pelo continente. Nem é preciso dizer que ele rapidamente fez amizade com os "novos parceiros de aventura".
Depois da agradável surpresa, os aquidauanenses conseguiram chegar a Trujillo, uma linda cidade de aproximadamente 800 mil habitantes, tendo a Praça das Armas, localizada na região central, como cartão postal. O cenário fica ainda mais belo ao ser completado com a catedral e o centro histórico.
O velho problema do eixo
A saída da cidade, na manhã seguinte, trouxe de volta um velho problema, lembra Rhobson. "O eixo do Unimog quebrou pela terceira vez e precisamos retirá-lo novamente. O Mac e o Leonel foram até o lugarejo mais próximo para soldá-lo, para continuarmos nossa viagem. Conseguimos andar mais 80 quilômetros até o eixo quebrar pela quarta vez".
Por sorte, eles conseguiram parar em uma cidade chamada Chimbote, na costa central-norte do Peru, capital da Nueva Provincia de Santa, no extremo noroeste da região de Ancash. Está localizada nas "orelhas" do Oceano Pacífico, na baía El Ferrol, onde desemboca o Rio Lacramarca.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Informática, é a oitava cidade mais povoada do Peru, onde, em 2012, a população registrada era de 361.291 habitantes. Chimbote é conhecida por sua atividade portuária, além de ser importante sede para a indústria pesqueira e siderúrgica do país. Em meados do século XX, o porto de Chimbote chegou a ser o porto de pesca com a maior produção do mundo.
O fato de Chimbote ser uma região portuária, por sinal, acabou ajudando para que os aquidauanenses pudessem resolver o problema do eixo do Unimog. "Como é uma cidade portuária, o horário de funcionamento do comércio é até as 18 horas. O Unimog quebrou bem na porta de uma metalúrgica pequena, porém, os funcionários de lá entenderam o que o Leonel queria fazer e trabalharam de uma forma que lhe deu confiança", explica Rhobson, lembrando de todos os cuidados que o amigo procura ter com o veículo.
Como anoiteceu, eles resolveram dormir em um hotel de Chimbote, com planos de seguir para Lima no dia seguinte. O descanso não foi como planejavam, já que o movimento do hotel era intenso, mas conseguiram acordar cedo e partiram para a capital peruana.
E pela quinta vez...
No trajeto, o eixo do Unimog quebrou pela quinta vez, para desespero dos aventureiros. Desta vez, por sorte, o bom serviço feito em Chimbote amenizou um pouco o problema. Como Lima estava apenas a 100 quilômetros de distância, resolveram continuar e chegaram até um hotel no bairro Miraflores, já na capital peruana.
"Saímos cedo, no outro dia, para encontrar uma oficina para fazer a peça. Como segunda opção, Leonel entrou em contato com um amigo em Santa Cruz, que enviaria a peça de Aquidauana para Corumbá, depois Santa Cruz, La Paz e, finalmente, Peru", diz Rhobson. Ou seja, uma verdadeira expedição pela América do Sul, igual aos viajantes aquidauanenses.
Enquanto aguardavam a chegada da peça, todos aproveitaram para matar as saudades da família, segundo o fotógrafo oficial da expedição. "Não contive a saudade ao falar com minha mãe, meu pai, minha irmã, meu cunhado e minha esposa. Só de saber que haverá a primeira apresentação da minha filha na escola e não estarei presente, será bem difícil. Também não estarei presente na formatura do meu curso do Formacoop, terei que finalizá-lo somente o ano que vem".
Faltam poucos dias para o término dessa aventura pela América do Sul. Acesse o
site O Pantaneiro e continue acompanhando todas as matérias e imagens da expedição.