Se todo o trajeto da expedição de Jeep pela América do Sul foi cheio de dificuldades e contratempos, não seria no penúltimo capítulo desta jornada que a história seria diferente. Os aquidauanenses Mac, Wilson, Rhobson e Leonel chegaram à cidade de Desaguadero, na Bolívia, durante a noite, mas perceberam que não havia estrutura adequada para ficar e seguiram viagem para La Paz.
Eles pararam em um hotel em frente ao terminal rodoviário central, mas, mesmo na capital do país, não encontraram um lugar com condições higiênicas para jantar. Para piorar, Wilson ainda sentia os incômodos de uma infecção intestinal e se alimentava à base de frutas compradas em vendas próximas ao hotel.
Outra dificuldade enfrentada pelos aventureiros foi a altitude de 3.600 metros - Mac chegou a acordar durante a madrugada com falta de ar. Além disso, eles sentiram na pele a diferença de tratamento com os estrangeiros.
"Quando fomos abastecer pela primeira vez, o que me chamou a atenção é que o combustível para o turista tem um preço diferente. Para o boliviano, o diesel custa 3,8 pesos bolivianos, e para o turista, 9,80 bolivianos. Soubemos que é uma medida do governo, e quando chegamos a qualquer posto eles não fazem questão de atender, pois o turista não é bem-vindo no país", relata o fotógrafo Rhobson.
Congestionamento no trajeto até Cochabamba
O próximo destino era Cochabamba, uma cidade universitária com muitos brasileiros que vão para cursar medicina. Os aquidauanenses chegaram no final da tarde, mas foram alertados por um taxista de que, na região central, não encontrariam um hotel com estacionamento para o Unimog. O jeito foi procurar um hotel fazenda, onde eles passaram a segunda e penúltima noite na Bolívia.
No outro dia, Mac, Wilson, Rhobson e Leonel seguiram pela cidade de Santa Cruz e encararam uma serra que chegava a 3.400 metros de altura. Foi preciso realizar uma parada estratégica, para resfriar os veículos, além de tomar cuidado com o interminável tráfego de carretas, antes que o Troller e o Unimog deixassem as primeiras marcas em Cochabamba. Motos com até três passageiros - na maioria das vezes, sem capacete - e caminhões transportando pessoas na carroceria também foram uma constante.
A cidade universitária não mudou o cenário para os aventureiros, que voltaram a enfrentar um grande engarrafamento de caminhões. "A chegada nos assustou, pois, se no início estava assim, não queríamos nem ver o que nos esperava pra frente. No caminho, vimos que ainda havia uma grande feira de produtos hortifruti promovida pelos moradores da região", lembra Rhobson.
O trecho se mostrava cada vez mais difícil, porém, uma simples frase dita por Leonel motivou o grupo. "Já sinto o cheiro de casa", bradou o dono do inconfundível Unimog. Depois disso, não foram mais ouvidas reclamações.