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'Eu vou continuar com o Aquidauanense', afirma João Garcia

Presidente do Azulão disse que não pode ser responsabilizado sozinho pelo rebaixamento. Clube se planeja para voltar forte em 2016.

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Após o rebaixamento do Aquidauanense para a Série B do Campeonato Sul-Mato-Grossense, o presidente João Garcia afirmou que continua à frente do clube. Durante reunião realizada no Estádio Municipal Mário Pinto de Souza, ele explicou questões relacionadas à situação do Azulão, enumerou as dificuldades enfrentadas na campanha deste ano e disse que não pode ser responsabilizado sozinho pela queda.
 
O Aquidauanense foi promovido para a elite do futebol estadual em 2008, quando, mesmo com a nona posição na segunda divisão, contou com a intervenção de João Garcia junto ao amigo e presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), Francisco Cezário, para superar a disputa contra outros times. Ao relembrar a jornada, o presidente do Azulão destacou que ele, praticamente sozinho, foi o responsável por trazer a equipe de volta.
 
"Um homem como eu, de 63 anos, que trabalhou sozinho para construir o time, não é obrigado a ler certas insinuações que as pessoas postam no Facebook. Financeiramente, sou um homem que mudou a história do futebol de Aquidauana. Eu enfrentei uma luta de sete anos para trazer o Aquidauanense de volta à disputa e garanto que não tenho o que reclamar da prefeitura, mas posso reclamar de levar a culpa pelo rebaixamento", desabafou.
 
Durante o período na elite, o auge do time da Princesa do Sul veio no ano de 2011, com o vice-campeonato sul-mato-grossense e a vaga para a Copa do Brasil do ano seguinte. Desde a época da competição nacional, por sinal, uma das grandes dificuldades tem sido a situação do Estádio Municipal Mário Pinto de Souza, que necessita de reformas e foi vetado para o confronto diante do Bahia de Feira de Santana, que precisou ser levado para Dourados.
 
"Este estádio tem que ser reformado para este ano, urgente. Já conversei com o governador André Puccinelli e ele ficou de vir até Aquidauana para conferir a situação e ver o que pode ser feito. Já teve dia em que precisei trazer os peões em minha caminhonete, para plantar grama. Gostaria, inclusive, de fazer um agradecimento ao comandante da Polícia Militar [tenente-coronel Renato Tolentino Alves], que sempre ajudou em questões relacionadas ao estádio".
 
Segundo João Garcia, um dos fatores decisivos que prejudicaram o Azulão na campanha deste ano foi justamente a série de restrições impostas aos torcedores no Estádio Municipal Mário Pinto, apesar de, como ele próprio ressaltou, os apaixonados pela equipe nunca terem deixado de comparecer e apoiar. A presença da torcida, lembra o presidente, será muito importante para que o Aquidauanense dispute a Série B e volte com força à elite.
 
Falta de patrocinadores
 
A falta de patrocinadores também dificultou a vida do clube na atual temporada. "Nenhum comércio se propôs a nos auxiliar. A pessoa que mais me ajudava era o Mário Pinto de Souza, que, infelizmente, morreu. Fica difícil bancar comissão técnica, maqueiros, gandulas, alojamento, entre outras despesas comuns para uma equipe", aponta o presidente. Neste ano, o auxílio financeiro da Prefeitura de Aquidauana, aprovado pela Câmara de Vereadores, ficou definido em R$ 100 mil, divididos em quatro parcelas iguais de R$ 25 mil. Entretanto, somando as despesas com os profissionais e os garotos que disputaram a Copa São Paulo de Futebol Júnior, sobrou pouco dinheiro para investir na equipe que acabou rebaixada no Campeonato Sul-Mato-Grossense.
 
"No mês de setembro eu cheguei a dizer que não teríamos condições de disputar a Copa São Paulo e o Estadual, mas apresentei um projeto ao prefeito José Henrique. Do repasse da Prefeitura de Aquidauana, apenas R$ 24 mil puderam ser gastos com os salários dos profissionais, já que os compromissos do Aquidauanense são quitados, rigorosamente, em dia. Nossa única dívida são dois meses atrasados com a Receita Federal".
 
Ao esclarecer a situação financeira do clube, ele também condenou o boato de uma possível mala preta envolvendo o Azulão, que surgiu na parte final da primeira fase da competição estadual, classificando essa situação como ?absurda?.
 
Qualidade técnica do elenco
 
Com os gastos reduzidos, a solução foi trazer jogadores com custos menores - e não os pretendidos pelo treinador Mauro Marino. As contratações foram feitas através de vídeos ou parcerias com empresários. Entretanto, segundo João Garcia, nenhum atleta foi comprado sem o aval do técnico, que já sabia das dificuldades que ambos iriam enfrentar no decorrer da competição.
 
"Antes mesmo de o campeonato começar, seu João e eu já conversávamos sobre o rebaixamento, pois sabíamos da situação da equipe. Não dava para chegar e apontar os jogadores que eu queria para serem contratados. Como alguns vieram por análise de vídeos, é natural que não tenham dado certo", analisa Marino.
 
Para muitos torcedores, os jogadores que levaram o time sub-19 à segunda fase da Copa São Paulo deveriam ter ganhado mais oportunidades. Segundo o treinador, ele gosta muito de revelar jogadores, mas a disputa da Copinha é totalmente diferente de uma partida profissional. "O time que mais revela hoje é o nosso, por necessidade e também por política da diretoria. Quem acompanha sabe que os profissionais não venceram nenhum jogo treino contra a base, mas isso não quer dizer que o sub-19 é melhor, pois o jogador dessa idade oscila muito", completa.
 
O presidente João Garcia diz que, em caso de venda das revelações, o Aquidauanense recebe apenas 5% do valor da transação, por ser o clube formador. Ele diz que, por gratidão aos garotos, sempre costuma tirar dinheiro do próprio bolso para bancar os gastos com passagem aérea, por exemplo.
 
Planejamento
 
João Garcia e Mauro Marino destacaram que estarão juntos com o Aquidauanense na Série B do Campeonato Sul-Mato-Grossense, apesar das constantes propostas que ambos sempre recebem para trabalhar em outras equipes do Estado. O presidente chegou a se emocionar ao lembrar de um convite que recebeu para comandar o Operário, há três anos, recusado por conta do amor dele pela cidade e pela equipe. Ressaltou, ainda, que o período dedicado ao futebol acaba o impedindo de curtir mais tempo com a própria família e tira a privacidade de todas em sua casa, onde os jogadores vindos de fora ficam alojados.
 
Mesmo diante das condições adversas, o objetivo para o restante desta temporada é organizar uma diretoria, provavelmente em abril, e ampliar o trabalho para além das quatro linhas. O planejamento inclui unir forças para continuar trabalhando com os garotos da base, montar um time qualificado para disputar a segunda divisão estadual e voltar forte em 2016. Fora de campo, uma das ideias é realizar mais eventos em prol da equipe durante todo o ano, como forma de fazer caixa e incentivar os torcedores a continuarem apoiando o Aquidauanense, como sempre fizeram até aqui.

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