A quantidade de animais silvestres atropelados na BR-262/MS, entre os municípios de Anastácio e Corumbá, caiu 59% próximo aos controladores de velocidade instalados. O dado é da UFPR (Universidade Federal do Paraná), que, por meio do ITTI (Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura), é responsável pelo Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna na região.
Entre os meses de julho e agosto de 2014, a equipe registrou, em média, o atropelamento de dois animais silvestres no trecho de 284 quilômetros da BR-262/MS coberto pelo Programa. O número de acidentes envolvendo animais foi reduzido se comparado com o mesmo período do ano de 2011, nos pontos onde hoje há controladores de velocidade. Para a análise, os pesquisadores do ITTI avaliaram a eficiência dos controladores de velocidade na redução dos atropelamentos de animais a partir das distâncias de 500 metros, 750 metros e 1000 metros, antes e depois de cada radar.
Com isso, verificou-se a redução de aproximadamente 59% de atropelamentos em distâncias de 500 metros antes e depois dos radares. Nas maiores distâncias houve a redução de 44,1% de mortes de animais silvestres a 700 metros e 34,6% nos 1000 metros após os redutores de velocidade.
No fim do mês passado, uma onça-pintada jovem foi atropelada na rodovia próximo à ponte do Rio Paraguai. Os mamíferos estão entre as principais vítimas dos acidentes envolvendo a fauna na região, somando 72% dos registros de atropelamento, seguidos de 16% de répteis e 12% de aves. Entres as espécies com maior registro de ocorrências estão o lobinho (16,32%), o tamanduá-mirim (8,29%) e o jacaré-do-pantanal (8,81%).
De acordo com o estudo realizado pela UFPR/ITTI, a incidência de acidentes envolvendo animais silvestres aumenta conforme o motorista se distancia dos radares, o que evidencia que o desrespeito à velocidade máxima permitida na rodovia é um dos fatores que influência nessas ocorrências.
Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna
O monitoramento é realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, por meio do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura, desde 2011. No primeiro ano, o programa catalogou 610 animais atropelados entre Anastácio e Corumbá. Uma vez por semana um integrante da equipe percorre o trecho de 284 quilômetros entre os dois municípios catalogando os animais silvestres atropelados.
Com base nos dados e pesquisa com usuários da rodovia, que identificou que a imprudência dos motoristas é uma das principais causa de acidentes envolvendo a fauna, a UFPR/ITTI fez a Proposta de Dispositivos de Proteção à Fauna, que inclui em seu programa a implantação de radares nos trechos onde ocorrem mais atropelamentos, além da colocação de telas e do corte da vegetação mais densa que prejudica a visibilidade do motorista. Até o momento 20 radares já foram instalados.