Depois do encontro polêmico do Papa Francisco com homossexuais, na missa de abertura oficial da Campanha da Fraternidade de 2015, o Arcebispo de Campo Grande Dom Dimas Lara Barbosa prestou um esclarecimento aos fiéis em relação ao casamento homossexual. ?O casamento que a Igreja reconhece é entre um homem e uma mulher destinado à ajuda mútua e procriação da prole?, explicou o Arcebispo durante a celebração.
A colocação estava sendo feita, segundo Dom Dimas, para acabar com maus entendidos causados por divulgações nas redes sociais de declarações atribuídas a ele sobre a união entre pessoas de mesmo sexo.
Sobre os homossexuais, ele pediu respeito e disse que precisam ser ajudados. Ao final da celebração, Dom Dimas concedeu entrevista coletiva na qual explicou que tocou no assunto apenas para fazer um esclarecimento aos fiéis. Para ele, o tema não tem sido tratado como se deve. O Arcebispo mencionou que o Papa Francisco quer uma postura acolhedora dos católicos em relação a todos, independente da condição social ou opção sexual.
?Não admitimos violência de forma alguma (...) Porém, tentar impingir um modelo de família único como se não existisse mais pai, mãe como antes, é muito complicado?, afirmou. A Igreja Católica, segundo ele, permanece crendo na família.
Campanha da Fraternidade - A abertura da campanha levou cerca de três mil pessoas ao Ginásio Poliespotivo Dom Bosco em Campo Grande, segundo organizadores. Neste ano, a colaboração entre igreja e sociedade está em destaque, sob o tema ?Fraternidade: Igreja e Sociedade? e lema ?Eu vim para servir?.
Durante a celebração, Dom Dimas destacou os dois gestos concretos da campanha: o fortalecimento das pastorais da criança, juventude e família, e a reforma política que a Igreja abraçou em parceria com entidades de classe da sociedade civil. O fortalecimento das pastorais visa, por exemplo, o combate à gravidez na adolescência e uso de drogas, além de preservar a saúde da população, entre outros objetivos.
Já a reforma política foi encampada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que colherá assinaturas em todo País, em parceria com entidades da sociedade civil, para garantir a tramitação no Congresso de um projeto de lei de iniciativa popular. A meta é conquistar 1,5 milhão de adesões no Brasil. No Estado, a estimativa da Igreja e entidades parceiras é angariar, pelo menos, 200 mil assinaturas. As listas estarão disponíveis nas paróquias para os fiéis aderirem.
Entre os pontos defendidos pela Igreja está o afastamento do poder econômico das campanhas eleitorais, acabando com o financiamento privado. Outra medida é o estabelecimento de eleições em dois turnos, primeiro votando no programa de governo e depois em candidatos. Também está contemplada a maior participação das mulheres na política. ?Elas são 44% do eleitorado, mas estão em apenas 8% dos cargos públicos?, justificou Dom Dimas.
Ao defender o envolvimento dos católicos em questões de interesse político, Dom Dimas mencionou que a existência da Lei Ficha Limpa se deve à Igreja que se mobilizou pela causa. "Se não estivermos atuando, corremos o risco de tomarem decisões contra o povo", alertou. Ali mesmo na celebração de abertura da campanha, listas estavam disponíveis para a adesão dos fiéis que faziam filas para assiná-las.
Parceira na campanha, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) também marcou presença na celebração deste domingo. A advogada Marli Campos Pavoni, coordenadora da Comissão de Reforma Política, participou da coleta de assinaturas. ?As listas estarão disponíveis nas secretarias das paróquias?, explicou.
Além de auxiliar na adesão de igrejas e paróquias, ela também levará a campanha ao setor empresarial do Estado. Dom Dimas disse que a ideia é acelerar a coleta de assinaturas durante a Quaresma. A aspiração dos organizadores é que o projeto de iniciativa popular seja votado no Congresso a tempo de vigorar nas eleições de 2016. Portanto, tem que ser apreciado em plenário um ano antes das eleições.
A Campanha da Fraternidade é uma iniciativa tipicamente brasileira realizada a mais de 50 anos.
*Com colaboração de Valdelice Bonifácio - Diário Digital