Ecossistemas fascinantes como o Pantanal sul-mato-grossense, estão sendo visitados por 21 alunos universitários da Universidade de Tubingen, situada no sul da Alemanha. Em lugares de altíssima biodiversidade, em parques nacionais e outras áreas, eles pesquisam a flora e fauna durante saídas de dia e noite.
Os estudantes fazem parte dos cursos de zoologia e biologia e participam de um extenso projeto de estudos sobre os ecossistemas brasileiros: Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e terminam no Rio Grande do Sul, nas florestas de Araucárias.
Na vigésima vez que o professor Rainer Radtke faz a ?saída de campo?, Aquidauana é o foco da expedição. A jornada deu início na manhã de hoje (26) sob auxílio e orientação dos guias ?Pézão? e ?Caipira?, com grande experiência e conhecimento no Pantanal, que darão todo o suporte necessário para que as pesquisas sejam satisfatórias. Além das caminhonetes que levam os alunos, acompanham também dois containers que funcionam como bibliotecas, e outros equipamentos de última geração, indispensáveis para as pesquisas.
O grupo chegou ao Brasil no início do mês, onde seguiram para o Pantanal da Nhecolândia. Foram 30 horas de ônibus até chegar ao destino das pesquisas. Em um diário on-line eles citaram que para se deslocar para o nosso Estado, se depararam com bloqueios feitos por índios na BR, falaram também sobre o manifesto dos caminhoneiros devido à alta do diesel. Finalizam o relato na chegada em Aquidauana, onde foram bem recepcionados pela população e muito bem atendidos no Hotel Carisma.
A iniciativa do professor Rainer é a realização de um sonho. Ele conta que quando adolescente, assistiu um documentário sobre o Pantanal, e prometeu pra si mesmo que um dia iria conhecer as belezas que nosso Estado proporciona. Rainer não só conheceu o Pantanal como pôde oferecer aos seus alunos o privilégio de também conhecer e estudar sobre o que nossa ecologia tem para oferecer.
De 2002 pra cá, época que ele começou a fazer pesquisas no Pantanal sul-mato-grossense, soma mais de 300 alunos engajados na aventura científica. O professor ressalta a importância dos estudantes eliminarem a distância entre a teoria e a prática no decorrer dessas excursões. Ele cita como exemplo que, observar o número de indivíduos das espécies dos trópicos, da maneira como está descrito nos livros é demasiadamente pequeno quando se estuda em tempo real.
Eliminar a distância entre a teoria e a prática como faz Rainer Radtke, é um privilégio de poucas escolas no Brasil. No caso do ensino superior brasileiro deveria ser uma obrigação. Porém os parcos recursos impedem que sejam realizadas viagens de campo suficientes para a boa qualidade do profissional. Já na Alemanha, essa é uma realidade do ensino praticada há décadas.
A expedição segue até a noite da próxima segunda-feira no Pantanal e permanecem no Brasil por aproximadamente 8 semanas.