De acordo com André Luiz Garcia Santiago, presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária do Estado do Mato Grosso do Sul), os servidores voltaram a ser ameaçados de morte, tanto no local de trabalho quanto na própria residência.
Neste fim de semana o muro da casa de um dos agentes penitenciários do Estado amanheceu com uma pichação que dava o recado ?você vai morrer!?. Ainda de acordo com Santiago, os agentes receberam ameaças no último domingo (01) através do telefone fixo do presídio, ressaltando que um agente seria assassinado nos próximos dias. Os dois fatos aconteceram em Campo Grande.
Assustados, os servidores iniciaram negociação com o governo de Mato Grosso do Sul após a morte do agente penitenciário Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, de 44 anos, no dia 11 de fevereiro, que ocorreu durante o plantão dele, dentro do Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado de Campo Grande. Com a morosidade, os servidores mudaram a postura no local de trabalho.
Em assembleia realizada na quinta-feira (26), a categoria decidiu não fazer mais horas extras a partir de domingo (01), como forma de protesto contra a falta de estrutura e pessoal e também como reação a morte do agente.
A assessoria do sindicato informou que a categoria não pode entrar em greve por se tratar se um trabalho essencial, por conta disso decidiu em assembleia por algumas mudanças a princípio. A primeira é de entregar a hora extra.
A PM e a Força Nacional tiveram de ajudar na revista e na segurança de presídios de Campo Grande, Jardim e Dourados. Helicópteros começaram a sobrevoar os locais para resguardar a segurança de quem está no estabelecimento penal, de quem trabalha e de quem visita o local.
Com medo de represálias, familiares que foram ao presídio de Segurança Máxima da Capital não quiseram dar detalhes sobre como foi a visita neste domingo, porém ressaltaram que o clima estava tenso no presídio.
Novo horário - De agora em diante, cada agente penitenciário trabalhará apenas no horário regulamentar. Eles também irão elaborar um pedido de interdição dos presídios do Estado para que os estabelecimentos penais não recebam número de detentos acima da quantidade de vagas disponíveis. O pedido será encaminhado ao Ministério Público.
De 2005 a 2014, a população carcerária cresceu 53% em Mato Grosso do Sul, enquanto que a população do Estado cresceu apenas 12%. Mato Grosso do Sul tem a segunda maior massa carcerária do Brasil, com 13,5 mil detentos.