Movimentos sociais do campo bloquearam, no início da manhã desta quarta-feira (20), as principais rodovias federais de Mato Grosso do Sul, incluindo a BR-262, que liga Aquidauana/Anastácio a Campo Grande.
Na ação, são de 200 a 300 militantes do MST/MS (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de Mato Grosso do Sul), da Fetagri (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar), do MCLRA (Movimento Camponês de Luta pela Reforma Agrária) em cada ponto fechado.
O bloqueio na BR-262 acontece na região de Terenos, no quilômetro 408. Também foram bloqueadas a BR-163, nos municípios de Nova Alvorada, Itaquiraí e Mundo Novo, a BR-267, e a BR-060, em Sidrolândia. A BR-267, região de Nova Andradina, foi liberada por volta das 10h.
No dia 01º de maio, os movimentos sociais e sindicais de Mato Grosso do Sul iniciaram a Marcha da Classe Trabalhadora do Campo e da Cidade, que durou cinco dias e teve a participação de cerca de mil pessoas. Os marchantes vieram do Posto Jaú, próximo a Anhanduí, até Campo Grande. No dia 06, eles ocuparam a sede do Incra, permaneceram até a tarde de sexta-feira (08) e seguiram para o Moreninho da UFMS, onde encerraram uma mobilização de 10 dias.
Durante a marcha uma comissão de negociação do MST foi a Brasília, onde conseguiu avançar em questões referentes a recursos para o Incra de MS e em alguns pontos da habitação rural, porém, a principal reivindicação foram a do nome do superintendente do Incra/MS e das sinalizações referentes a vinda de um representante do órgão a nível nacional para deliberar sobre os cinco anos sem reforma Agrária no Estado.
Segundo Jonas Carlos da Conceição, membro da direção nacional do MST, as mobilizações continuam, pois os movimentos querem celeridade no processo de nomeação no nome do superintendente para que outros assuntos referentes à reforma agrária possam caminhar. "Queremos que o novo superintendente do Incra de MS seja um nome técnico, uma pessoa comprometida com a reforma agrária, e não apenas uma indicação política. Nossa luta é pela reestruturação do órgão que está totalmente sucateado em nosso Estado e sem condições de tocar as questões que necessitamos para os acampados e assentados", disse.
Além das pautas nacionais com o Incra, os movimentos que se encontram mobilizados na causa também estão pautando algumas questões a nível estadual, entre elas, o fato do atual governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), ter se reunido com uma comissão de negociação no final de fevereiro, ter solicitado a relação de cada um sobre a realidade da infraestrutura dos assentamentos e, até o momento, não ter dado retorno concreto sobre o assunto.
Jonas Carlos afirma que os movimentos permanecerão unidos até o Incra Nacional e o Governo do Estado tomarem providências. "Estamos esperando ações deliberativas e que nos apontem soluções cabíveis para a situação alarmante dos nossos acampados e dos assentados, por esse motivo continuamos unidos, mobilizados e em luta".