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Adolescentes torturam, arrancam couro a faca e quebram patas de cadelinha

Estudos apontam que atos violentos contra animais são considerados indicadores de transtorno mental

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Um caso de maus-tratos a uma cadelinha com menos de um ano de idade em Campo Grande está gerando comoção nacional. Conforme a pessoa que achou o animal, adolescentes a torturaram e arrancaram o couro com faca.
 
A serralheira Simona Zaim, 32 anos, e a aposentada Lubas Lomar, 62, encontraram a cadelinha no Bairro Coophavila II. Ambas fazem um trabalho de resgate de animais abandonados com sinais de maus tratos. ?A população nos avisa e nós vamos até o local resgatar?, explicou Simona.
 
Segundo ela, moradores da região disseram que quatro adolescentes torturaram a cadelinha, na tarde deste sábado (30), arrancaram o couro e quebraram duas patas. Os mesmos constantemente estariam apedrejando animais no bairro.
 
A cachorrinha recebeu o nome de Vitória Guerreira. O caso foi publicado no Facebook e causou grande comoção e revolta dos usuários da rede social.
 
Vitória chegou a clinica veterinária em estado de choque e com a situação clínica grave. Como estava a temperatura baixa, luzes foram colocadas em cima do corpo para manter a temperatura ideal. Uma das patas vai ser amputada.
 
A médica veterinária Jucimara Pereira, responsável pelo tratamento da cadelinha, disse que Vitória responde melhor ao tratamento desde ontem (01). "A situação dela se estabilizou melhor essa noite, controlamos a oscilação da temperatura e a preocupação agora é com as inflamações", explicou a médica.
 
Conforme Jucimara, o tratamento com células tronco, pelo qual Vitória poderá passar, só será iniciado em uma semana, e se o quadro de inflamações e infecções estiver sob controle. "É um tratamento para recuperação da pele e dos músculos que não pode ser feito se houver qualquer inflamação", pontuou.
 
Punição - A polícia ainda não prendeu os agressores, mas já tem informações sobre os suspeitos e está investigando o paradeiro deles. Mas os acusados de torturarem e arrancarem o couro da cadelinha Vitória Guerreira podem continuar em liberdade. Isso porque, de acordo com a lei, o crime de maus tratos é considerado de "menor potencial ofensivo", o que faz com que os agressores apenas respondam um termo circunstancial de ocorrência e não sejam detidos.
 
De acordo com o delegado Wilton Vilas Boas de Paula, titular da Decat (Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista), as investigações para identificar os autores começaram na manhã desta segunda-feira.
 
"Conversei com as pessoas que a recolheram e agora vamos registrar o boletim de ocorrência, já que ninguém havia oferecido denúncia, agora as investigações podem tomar um rumo mais preciso", explicou.
 
Apesar do interesse da polícia em identificar os acusados, o delegado explica que, mesmo após eles serem encontrados, devem responder em liberdade.
 
"O que ocorre é que em crimes em que a pena é inferior a dois anos, como é o caso de maus tratos a animais em que a penalidade prevista é de três meses a um ano, o acusado apenas assina um termo circunstancial e responde em liberdade", disse.
 
O delegado também explicou que o único agravante seria se os agressores tivessem sido presos em flagrante ou se Vitória não resistir aos ferimentos e morrer. "Em caso de morte do animal, a pena pode ser aumentada em até um sexto do período", afirmou.
 
Torturadores de animais ? ?Qualquer pessoa que chega a conclusão de que a vida de qualquer animal é indigna de ser vivida, existe o risco de que um dia ele também conclua que a vida humana não vale nada?, escreveu certa vez o humanista Albert Schweitzer.
 
Hoje, atos violentos contra animais são considerados indicadores de transtorno mental. Nos Estados Unidos, estudos têm convencido sociólogos, legisladores e tribunais de que atos de crueldade contra animais merecem sim nossa atenção. Esses atos podem ser os primeiros sinais de doença mental que levará os atacantes a serem violentos com seres humanos.
 
?Assassinos... suas carreiras muitas vezes começam na infância, torturando ou matando animais?, disse o agente do FBI Robert K. Ressler, o mais famoso especialista em serial killers.
 
Ressler não está sozinho.
 
?Uma das coisas mais perigosas que pode acontecer a uma criança é matar ou torturar um animal e não acontecer nada com ela?, conclui a antropologista Margaret Mead.
 
O site O Pantaneiro conversou com a psicóloga Cláudia Malfatti que caracteriza o ato como comportamento perverso e inaceitável. ?Jovens que fazem essa crueldade com animais, podem sim vir a cometer atos semelhantes aos seres humanos?, enfatizou.
 
Segundo a psicóloga, para dizer que alguém apresenta transtorno de personalidade ou conduta é preciso passar por avaliações psicológicas e psiquiátricas. No entanto, se pode afirmar que psicopatas agem de forma cruel, sem culpa e suas vítimas tendem a ser indefesas, fáceis de enganar e dominar. Os animais se encaixam nesses critérios.
 
Cláudia alerta que os pais precisam ficar atentos às atitudes dos filhos, desde criança. Não é porque são pequenos que comportamentos violentos devem ser ignorados. A agressividade precisa ser observada e atitudes devem ser tomadas pelas responsáveis, como sensibilizar a criança sobre o mal que ela está cometendo contra os animais e a dor que os mesmos sentem.
 
Caso o comportamento persista, é necessário encaminhá-la para acompanhamento psicológico. É importante ressaltar também que crianças tendem a reproduzir o que veem e ainda projetar no animal a agressão por qual passam.
 
Ajuda - As mulheres que acharam o animal pedem ajuda para arcar com a conta da clínica veterinária. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com a clínica Petit Bichon pelo telefone (67) 3324-5500, ou ir até o local na Joaquim Murtinho, 1177, Bairro Itanhangá Park, em Campo Grande.
 
Doações também podem ser feitas pela conta de: Simona Zaim, Sicred agência 0913 CC 36491-6.




Colaborou Luana Rodrigues
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