Concentrado na Praça dos Estudantes, no Centro de Aquidauana, o Comando de Greve do campus local da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) realizou uma mobilização na manhã desta quinta-feira (02). Além de docentes e técnicos administrativos, que estão em paralisação desde o último mês, o movimento contou com a participação de acadêmicos da própria UFMS e do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul).
As classes são diferentes, mas a luta é a mesma, relataram os representantes do Comando de Greve. Entre a extensa pauta de reivindicações, a principal, segundo eles, é contra o sucateamento do ensino público no Brasil, além de 27,3% de recomposição salarial aos docentes por perdas inflacionárias e autonomia das universidades.
"Estamos em busca de reestruturação da carreira docente, de condições adequadas de trabalho. Com a crise e o corte das verbas públicas, a educação e a saúde são as principais prejudicadas. Houve o corte de 35% do orçamento das universidades, o que afeta diretamente o ensino", observou o professor Ricardo Gentil, do curso de Biologia, representando o Comando.
Integrante do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica) do IFMS de Aquidauana, Diogo Milagros criticou o modo de o governo trabalhar com a educação, dizendo que é dada muita importância apenas aos números.
"Nos últimos anos, foram criados muitos institutos federais, mas a carreira vem ficando cada vez mais defasada. Temos que prezar por qualidade, não por quantidade. Hoje vemos um cenário em que muitos alunos estão perdendo suas bolsas, o financiamento para investimentos em pesquisas também reduziu", disse.
Os técnicos administrativos ainda defendem pautas como a reposição das perdas e data-base, aprimoramento de carreira, democratização nas instituições federais de ensino e reaparelhamento e manutenção da UFMS.
"Também iremos organizar uma pauta local, junto com os professores e os próprios acadêmicos, com reivindicações para o campus de Aquidauana", adiantou o técnico Rafael Melcher.
Após a concentração na Praça dos Estudantes, docentes, técnicos e alunos seguiram em caminhada pela Rua Sete de Setembro. Outras mobilizações poderão acontecer em breve.