O representante comercial de 36 anos que foi esfaqueado pelo ?amigo? no início da manhã do último domingo (28) na região de Águas de Miranda, durante uma suposta pescaria, contou à reportagem do Site O Pantaneiro como tudo aconteceu.
Segundo ele, tudo começou por conta de local para dormir, já que no quarto da pousada onde conseguiram hospedagem de última hora só havia três camas, e eles estavam em quatro.
?Saímos de Campo Grande por volta de 19 horas do sábado. O pessoal começou a beber quando chegamos, viramos a noite conversando sobre a pescaria, estava tudo bem, aí resolvemos organizar as coisas no quarto, quando surgiu o impasse das camas. Ali já começou a discussão?, contou.
A vítima conta que foi agredida pelo acusado dentro do imóvel, quando, segundo ele, pra evitar o pior, resolveu retirar suas coisas do carro em que estavam e se separar do grupo.
?Eu vi que os ânimos se exaltaram, então resolvi não seguir mais com eles, fiquei com receio, ele estava muito alterado. Como tinham outro grupo de amigos que também estavam no local, eu ia me juntar a eles?, disse.
O representante comercial então começou a descarregar suas coisas quando o ?amigo? veio para cima e o golpeou na barriga. ?Eu não esperava isso dele, na hora pedi pra ele parar, que não precisava daquilo, mas ele disse que eu ia morrer naquele momento e veio pra me furar na altura do coração, quando eu consegui empurrar a faca e saí correndo?.
Neste momento o homem tentou correr, mas acabou caindo, quando levou outra facada no abdômen. ?Ali achei que ia morrer, começou o tumulto e ele acabou fugindo com os outros dois, me largaram lá, mas o outro grupo me socorreu e acionou a polícia, que conseguiu impedir a fuga?.
A vítima foi encaminhada em estado grave para o Hospital Regional de Aquidauana, passou por cirurgia e agora está fora de perigo.
Ele ainda conta que aproximadamente 1 ano atrás teve um atrito com o autor em uma outra pescaria na cidade de Rochedo. ?Estávamos na beira do rio, quando o filho dele sentou ao meu lado, e eu joguei a carretilha e o anzol acabou pegando no rosto do menino. Não tive a intenção, foi um acidente. Me desculpei com ele, jamais iria fazer algo contra uma criança, achei que estava tudo bem, não sei se esse episódio contribuiu para o que aconteceu?, contou aflito.
O homem disse que não pretende continuar morando em Campo Grande. Quando receber alta irá vender seu imóvel e se mudar com a família para outro local. ?Não sei o que passa na cabeça dele, temo pela minha vida e dos meus familiares?.
A vítima ainda contou que um dos ?amigos? que se evadiu com o autor, foi visita-lo no hospital. ?Um deles veio me visitar, perguntei por que ele me deixou lá, ferido, sem condição de defesa. Ele apenas disse que agiu por medo?.
A reportagem também tentou conversar com o autor das facadas, mas ele não aceitou e disse que só falaria na presença do seu advogado. Ele continua detido na 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana e irá responder por tentativa de homicídio. Os outros dois ?amigos? foram relacionados como testemunhas. Todos moram na Capital.