Segundo a mãe, ele era esperado apenas para o mês de outubro, embora ela mesmo tenha admitido que se perdeu nas contas. Surpresa, susto, angústia e, ao fim, a felicidade e o alívio por tudo ter dado certo, com uma história que será eternamente lembrada pela jovem Jéssica dos Santos, 18 anos, pelo filho recém-nascido e pelo soldado BM Marin, do 1º Subgrupamento de Bombeiros de Aquidauana.
Jéssica é moradora da Fazenda Costa Rica, situada na famosa Estrada Toca da Onça, no Pantanal. A jovem, que já tem dois filhos, conta que estava em casa, na manhã desta terça-feira (11), quando começou a sentir dores. A família acionou uma ambulância da Prefeitura de Aquidauana e, ainda surpreendida, iniciou o transporte da gestante em uma caminhonete.
É nessa parte da história que entra o soldado Marin, que viajou junto com o motorista da ambulância, já preparado para um possível trabalho de parto. Após 45 minutos de estrada, na rodovia BR-419, eles se encontraram com a caminhonete e viram que a jovem estava sentada no banco traseiro, com fortes dores abdominais. Ela foi colocada na ambulância, mas, como passou a ter contrações em intervalos cada vez mais curtos, faltando a distância de 55 quilômetros para Aquidauana, o bombeiro percebeu que o nascimento teria mesmo de ocorrer dentro do veículo.
"Eu já havia visto ocorrências de parto em Campo Grande, onde isso é mais comum, mas nunca tinha feito um. Nós temos treinamentos e instruções periódicas, para sempre estarmos preparados para essas situações", conta o soldado Marin.
Ele diz que uma das grandes dificuldades, nesse tipo de ocorrência, é lidar com a angústia e o medo da mãe. Foi preciso uma grande dose de carinho para poder conversar com Jéssica e explicá-la que, se o bebê quisesse nascer ali, assim seria feito. A jovem, bastante nervosa, naturalmente, respondeu afirmativamente ao ser questionada se estava pronta para o parto. E não foi só ela que ficou angustiada.
"Nós também ficamos um pouco nervosos, mas, em hipótese alguma, podemos demonstrar dúvidas, incertezas para as pessoas. Além do trabalho de parto, temos que procurar passar tranquilidade. Fiquei um pouco assustado na hora que o bebê nasceu, ele estava um pouco roxinho, mas levamos todo o material necessário para um parto normal e tudo correu bem até chegarmos ao Hospital Regional", relata o bombeiro.
Passado o susto, Jéssica agora curte os primeiros momentos ao lado do filho, que, de tão apressadinho que veio, terá que ser chamado apenas assim por mais um tempinho. ""Como eu não estava esperando para agora, ainda não escolhi o nome", sorri a jovem.