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No mês de setembro, a partir de 2015, haverá um movimento de conscientização da população sobre a realidade do suicídio. Assim como já existe o ?outubro rosa?, lembrado pela prevenção do câncer de mama, e o ?novembro azul?, feito para conscientizar sobre as doenças masculinas, o ?Setembro Amarelo? foi criado para mostrar a realidade sobre o suicídio: para mais de 90% dos casos existe prevenção. 
 
Segundo a Assessoria do Centro de Valorização da Vida (CVV), a cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas. O suicídio é considerado um problema de saúde pública, e um brasileiro morre deste mal a cada 45 minutos. No mundo, o número cresce para um a cada 45 segundos. Pelo menos o triplo disso já tentou tirar a própria vida e outros chegaram a pensar em fazê-lo. 
 
Há uma semana veio a Aquidauana o especialista em prevenção em suicídio, Capitão do Corpo de Bombeiros e Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Edilson Reis, palestrar sobre o tema. A iniciativa foi do vereador Correa Filho, tendo em vista os números assustadores de registros de ocorrências de suicídios nos últimos meses.

A palestra foi ministrada no Plenário da Câmara Municipal de Aquidauana e contou com um público de mais de 200 pessoas, além de agentes da Polícia Civil e Policiais Militares.
 
O delegado regional Evandro Luiz Banheti Corredato abriu o evento falando sobre os dados alarmantes de Aquidauana e Anastácio. Conforme estatística da Polícia Civil/SIGO, no período de 1º de janeiro de 2014 a 31 de julho de 2015, ou seja, um ano e meio, nos dois municípios foram registrados 22 casos, 19 consumados e 03 tentados, sendo que na grande maioria o instrumento utilizado foi corda ou semelhante, por enforcamento.
 
Professor Edilson mencionou que 19 casos em menos de 100 mil habitantes é um número fora de controle, já que juntando a população de Anastácio e Aquidauana não chega a 80 mil habitantes. ?Essas cidades estão enfrentando uma epidemia de suicídio, não podemos nos calar, o assunto precisa sim ser divulgado?, enfatizou.
 
O assunto ainda é tratado como tabu, apesar dos números. Segundo o professor, as pessoas que tentam suicídio pedem ajuda, mas, normalmente, não são compreendidas. ?Deixar de falar sobre o assunto só colabora para esse distanciamento social?, comenta. ?O assunto suicídio deveria fazer parte, de forma muito natural, da roda de amigos, nas escolas, casas religiosas e dentro das casas?.
 
Na área da saúde pública sabe-se que a prevenção de qualquer doença se faz com informação clara e objetiva.
 
O que a maioria dos brasileiros ignora ? e parte dos profissionais de saúde também ? é que isso também vale para suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 90% dos casos os suicídios são preveníveis por estarem associados a patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. Ou seja, de cada dez casos de autoextermínio, nove podem ser evitados onde houver o diagnóstico preciso dessas patologias, o devido tratamento e a assistência das redes de cuidado e atenção.
 
?Nem sempre o desejo de matar-se tem relação com o de morrer, a pessoa quer aliviar o sofrimento?, alerta Professor Reis.
 
Ainda assim, por incrível que pareça, este continua sendo um assunto invisível, fora do radar da sociedade. E não é difícil identificar alguém na família, no círculo de amizades ou na vizinhança que já tentou se matar ou consumou o ato suicida. Pode-se dizer que boa parte dessas pessoas que desapareceram em circunstâncias tão violentas ainda estaria entre nós se os mais próximos soubessem como agir quando determinadas pistas ou sinais dão conta de que algo não vai bem.
 
Além dos sintomas característicos das psicopatologias associadas ao suicídio (depressão, transtornos relacionados ao uso de substâncias, esquizofrenia, transtornos de personalidade, etc) é importante acompanhar eventuais mudanças de comportamento que indiquem a tendência ao isolamento social, desinteresse generalizado, angústia e aflição, baixo rendimento escolar ou produtividade. São alguns indícios de que algo pode estar errado.
 
Para enfrentar o tabu em torno do assunto ? e a brutal desinformação que agrava as estatísticas ? celebra-se no dia 10 de setembro o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
 
Para dar ainda mais visibilidade a esse grito de alerta em favor da vida, a Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio (IASP) lançou o movimento Setembro Amarelo, que tenta associar esta cor à causa da prevenção do autoextermínio. A ideia é pintar, iluminar e estampar o amarelo nas mais diversas resoluções por aí.
  

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