Ramal de escoamento da produção de riquezas de Mato Grosso do Sul, a Hidrovia Tietê-Paraná teve sua navegabilidade retomada na última semana, em Buritama (SP), após quase dois anos de interrupção devido à estiagem. A governadora em exercício do Estado, Rose Modesto (PSDB), participou, juntamente com o secretário da Semade, Jaime Verruck, da solenidade de reativação da hidrovia, que aconteceu no trecho do reservatório da Usina de Nova Avanhandava. A cerimônia também contou com as presenças dos governadores Geraldo Alckimin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR) e Pedro Taques (PSDB-MT).
De acordo com Rose, a hidrovia tem importância estratégica para Mato Grosso do Sul. ?Nosso estado jovem, de potencial, é forte no agronegócio. E esse investimento em logística e infraestrutura feito pelo Governo de São Paulo vai contribuir para o escoamento de nossa safra, que é uma das maiores do país. A retomada da navegação nessa hidrovia representa desenvolvimento e oportunidade de crescimento para Mato Grosso do Sul?, discursou.
Logística
Com o retorno da navegação, Mato Grosso do Sul garantiu, novamente, a opção de escoar a produção pelo Rio Tietê, além das rodovias. ?É um importante investimento do Estado de São Paulo que beneficia diretamente Mato Grosso do Sul. Pelo rio, nossa produção vai até Pederneiras e depois até Porto de Santos. Dá mais competitividade e menos custo para aquilo que produzimos?, explicou o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, que também participou da reativação.
Além de ser um dos principais corredores de exportação do Brasil, a Hidrovia Tietê-Paraná ocupa importante papel de escoamento de cargas de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Paraná. O ponto de navegação em Buritama estava interrompido para a passagem de embarcções desde maio de 2014, em decorrência do baixo nível dos reservatórios de Três Irmãos e Ilha Solteira. O calado chegou a ficar com um metro, sendo que o nível recomendável para navegação, segundo o Departamento Hidroviário do Governo de São Paulo, é de 2,2 metros.
A suspensão das atividades de transporte no rio atingiu cargas vindas principalmente de São Simão (GO) e Três Lagoas (MS), que compreendem soja, milho, celulose e madeira. Conforme Alckmin, seis milhões de toneladas/ano de produtos deixaram de ser escoadas pelo modal, o que fez aumentar o número de caminhões pelas rodovias do Centro-Sul do país. ?Um comboio de navegação equivale a 200 caminhões trafegando nas estradas. Agora, nossa expectativa é fazer com que o escoamento de 100 mil caminhões/ano seja feito pela hidrovia?, contou, explicando sobre a eficiência no escoamento das safras.
Ainda conforme o governador de São Paulo, obras de infraestrutura serão realizadas no trecho mais baixo do Rio Tietê para que estiagens futuras não voltem a interromper o fluxo de embarcações. ?Vamos fazer 10 quilômetros de explosão nas pedras, substituir pontes e fazer dragagens para ganhar na logística e diminuidor custos. As obras serão realizadas com recursos do Governo Federal e do Governo Paulista.
Dados
De acordo com o Programa de Eliminação de Gargalos, Extensões e Terminais da Hidrovia Tiete-Paraná, produzido pelo Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, até outubro de 2015, cinco obras foram concluídas, três se encontram em andamento, uma está em andamento por intermédio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), quatro estão paralisadas ? complementação a contratar, uma em licitação e 24 a licitar na hidrovia.