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Desde a última sexta feira, 12, o Hospital Funrural, de Aquidauana, mantém entre seus pacientes uma mulher que tem um história digna de um roteiro de cinema. Dona Edna, na verdade é uma pessoa simples. Cresceu vivenciando as coisas comuns e inesquecíveis da região, como as matinês de domingo, as andanças na praça central e as pescarias às margens do Rio Miranda, que costumava fazer com o pai. Mas foi entre os 10 e os 11 anos,  que o destino acrescentaria um capítulo especial em sua vida, quando apareceu um jovem, de nome Luiz. Foi num Baile, daqueles que reuniam grande ajuntamento, que ele apareceu, chamando-a para a dança. Edna recusou-se. Luiz, não a perdeu de vista.  Perseverou em conquista-la. E conseguiu! Hoje são 40 anos de caminhada, juntos.
 
Lembram-se de uma frase famosa dos votos nupciais, o ?prometo respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, etc..? O Luiz, caminhoneiro, é honesto em dizer que não foi muito coerente. Deu suas escapadas neste tempo. Contudo,   de tempos para cá ele entendeu que a Edna é única  mulher que realmente amou e tem o privilégio de ainda tê-la. Sim, ?ainda?, porque no início do ano passado a saúde de Edna começou a ir de mal a pior. Começou com uma infecção de rim, tireóide, pressão alta e, no fim de um ciclo de transtorno, o coração parou. Ela teve um AVC! Foi aquele desespero! Acabou sendo internada na Santa Casa, em Campo Grande, onde ficou exatos 355 dias. É aí que a história de Luiz e Edna ganhou um novo capítulo. Ele literalmente mudou-se para o quarto 417, no quarto andar, cuidando todos os dias de sua amada. Foi um tempo de aprendizado, sobre os valores mais caros da vida, como amor, carinho, paciência e dedicação, exercitados em situações quase sempre limites, como a dificuldade de Edna em comunicar-se, chegando ao ponto de fazer uso de sinais, como risos e caretas para denotar coisas como um ?sim? ou um ?não?.
 
Apesar do carinho que receberam na capital, num contexto tão improvável como o espaço de um quarto de Hospital, Luiz e Edna não escondem que sofreram muito, neste tempo, de saudade de casa, que descrevem como sendo ?o melhor lugar do mundo?. Seus olhos brilham quando lembram dos cenários que em breve voltarão a rever. ?Nossa casa é maravilhosa. Tem varanda, três quartos, cozinha pra fora e 23 tipos de fruta!?. Hoje estão ainda mais ansiosos para esta retomada da vida neste canto tão deles, porque já estão mais próximos. Cento e trinta e cinco quilômetros mais próximos.  Deixaram saudades na Santa Casa. Esperam que por aqui nem haja tempo. Que a estadia no Funrural seja breve. Mas, se não for, Luiz já fez muito bem o dever de casa. E pra que ninguém tenha dúvida de que Elza é realmente uma ?mulher maravilhosa?, ele resolveu registrar seu nome além de uma mera declaração, tatuando seu nome, no braço. Braço que a abraça, carinhosamente, para dizer que, ?com fé em Deus? ainda vão viver muito tempo. Quem acompanha essa história só pode dizer: "Amém!"

Com Informações do Campo Grande News (Labo B)

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