Neste 02 de fevereiro muitos olhares do país estarão sobre a cidade de Ariquemes, no Vale do Jamari, há 207 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia. Tudo por conta de uma polêmica que gerou vários debates nos últimos dias. Trata-se da determinação do prefeito da cidade, Thiago Flores, do PMDB, de retirar dos livros didáticos produzidos pelo Ministério da Educação e Cultura, MEC, as páginas que tratam do casamento entre homossexuais. Neste dia ele vai responder ao Ministério Público sobre ?como? a distribuição dos livros será feita.
Na administração anterior do município, os livros foram recolhidos e proibidos, por conta deste conteúdo. Eleito no último pleito, Thiago dialogou com a população sobre o assunto. A maioria da população se manifestou contra a manutenção das páginas. Ele resolveu tomar a decisão de fazer com que os livros sejam distribuídos, mas sem as páginas aludidas. ?Minha decisão foi participada com todos e não tomada dentro do meu gabinete?, diz Thiago, lembrando que o assunto foi amplamente discutido com a população, que pediu a retirada do conteúdo sobre diversidade familiar, como casamento e adoção de crianças por homossexuais.
Em audiência com o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), que convidou o prefeito a firmar um Termo de Ajuste de Conduta, (TAC) pautada na decisão de não retirar as páginas dos livros didáticos que contenham ideologia de gênero e diversidade familiar, Thiago preferiu não fazê-lo. ?Na qualidade de representante legítimo, eleito pelo povo, pela voz da maioria, nossa resposta será no âmbito da administração pública, por isso não assinei o TAC?, disse. Segundo ele, nunca houve intenção de pregar a cultura do ódio, gerar essa polêmica, discutir a homofobia, mas apenas se respaldar na vontade da maioria da população de Ariquemes.
Vozes discordantes
Diversas instituições e personalidades se manifestaram sobre a decisão do prefeito Thiago Flores. A OAB emitiu nota de repúdio a decisão dos vereadores, que referendaram, por maioria, a decisão do prefeito. ?Essa conduta é extremamente ofensiva à dignidade humana, a igualdade, a liberdade, ao pluralismo e ao respeito à vida privada e familiar das famílias e seus filhos. Esta postura afronta diversos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil junto ao Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos?, diz a nota. Para o MEC a atitude de suprimir as páginas dos livros escolares é ilegal.
A voz mais discordante, contudo, foi do deputado federal Jean Wyllus, do PSOL do RJ, que emitiu um texto de repúdio nas mídias sociais. O parlamentar questiona ?se a sociedade está voltando à época da inquisição?. Em resposta a sua postagem, o prefeito Thiago Flores escreveu: ?E aí pessoal!!! Tô pensado aqui se respondo ao Jean Wylys ou lavo a louça da minha pia... Ah! Decidi: vou lavar a louça!?.