X

Fé e recomeço

De Anastácio, Ana vence luta contra o câncer e inspira outras mulheres

Aos 31 anos, Ana Paula Calderoni, que atualmente mora na capital, retirou o port-a-cath após dois anos e meio de tratamento; cicatriz virou marca de sobrevivência e simboliza história de fé e recomeço

Compartilhe:

A-

A+

Cabelos de Ana voltaram a crescer, e a rotina começou, aos poucos, a ganhar novos contornos / Arquivo pessoal

Aos 31 anos, Ana Paula Calderoni olha para as marcas deixadas pelo câncer de mama e não enxerga apenas aquilo que perdeu. A cicatriz no peito, a ausência da mama esquerda e as lembranças de um período em que também ficou sem os cabelos fazem parte de uma história que ela escolheu contar não pela doença, mas pela superação.

Atualmente residindo em Campo Grande e ex-moradora de Anastácio, Ana passou por dois anos e meio de tratamento após receber o diagnóstico de um câncer de mama agressivo. Agora, a retirada do port-a-cath - dispositivo utilizado durante o tratamento, no último dia 17 de setembro - representa, para ela, um dos momentos mais simbólicos dessa caminhada.

“Para quem tira o port-a-cath, é uma vitória, uma superação. Só quem tem esse negócio sabe o que é. Enquanto ele está ali, parece que o câncer ainda está presente na sua vida”, relata.

O dispositivo é utilizado para facilitar a administração de medicamentos e outros tratamentos por via intravenosa e pode permanecer no corpo durante meses ou anos. Quando deixa de ser necessário, é retirado em um procedimento médico.

Para Ana, porém, aquele momento vai muito além do procedimento. É como se uma parte visível dos anos de tratamento pudesse, finalmente, ficar para trás.

Registro no dia da retirada do port-a-cath, um marco da vitória para Ana (Foto: Arquivo pessoal)

Uma cicatriz que ganhou outro significado

Durante o tratamento, Ana perdeu os cabelos e precisou enfrentar a retirada da mama esquerda. Aos poucos, porém, passou a enxergar essas mudanças de outra maneira.

“A aparência não importa. O que importa é ser curada, é a gente vencer essa doença tão maligna que tem levado tantas pessoas”.

Aos poucos, aquilo que inicialmente poderia representar apenas uma perda passou a ser visto por ela como uma marca de sobrevivência.

“Eu perdi a mama esquerda, estou sem ela há dois anos, mas isso não importa para mim. Eu tenho meus dois filhos, tenho minha família, tenho saúde, tenho meu cabelo de volta. Sou grata por estar aqui”.

Mãe de dois meninos, Ana conta que não pretende apagar as lembranças do período que enfrentou. A intenção é olhar para tudo o que viveu como parte de uma trajetória que a transformou.

Para ela, a cicatriz não precisa ser escondida. Pode representar o caminho percorrido até chegar ao momento atual.

“Por mais que seja uma questão estética, o que importa é a recuperação, é viver feliz, com saúde. Isso é o que mais importa”.

Da queda dos cabelos ao recomeço

O diagnóstico chegou em julho de 2024, em meio a um momento familiar que deveria ser de celebração. A partir dali, vieram consultas, exames, tratamentos e mudanças que Ana jamais havia imaginado enfrentar. Entre elas, a perda dos cabelos e, posteriormente, da mama esquerda.

Em abril de 2025, após 15 sessões de radioterapia, ela concluiu uma das etapas do tratamento. Os cabelos voltaram a crescer, e a rotina começou, aos poucos, a ganhar novos contornos.

Dois anos e meio depois do início dessa caminhada, a retirada do port-a-cath se tornou mais um marco e símbolo da cura para Ana.

“Mais importante é a gente vencer, ter a fé de superar tudo isso”.

Ana registrou as mudanças ao longo desse período (Foto: Arquivo pessoal)

Uma história para incentivar outras mulheres

Ana decidiu compartilhar sua experiência porque acredita que falar sobre o que viveu pode ajudar outras mulheres que ainda estão no início dessa caminhada.

Ela ressalta que cada pessoa enfrenta o tratamento de uma maneira diferente, mas acredita que a fé, a família e a possibilidade de recomeçar foram fundamentais para que conseguisse seguir em frente.

“Só quem vive sabe o que é isso. Eu quero que outras mulheres saibam que existe vida depois de tudo isso. A gente pode olhar para as marcas e lembrar que venceu”.

Para Ana, contar a própria história também é uma maneira de mudar o olhar sobre o corpo depois do câncer. A ausência de uma mama, a cicatriz ou a mudança na aparência não diminuem aquilo que considera mais importante - estar viva e poder acompanhar os filhos.

“Hoje, eu sou grata a Deus por ter cabelo, por ter saúde, pela minha família. A mama que eu perdi não define quem eu sou”.

Depois de tudo o que viveu, Ana diz que prefere olhar para frente. A retirada do port-a-cath simboliza, para ela, a passagem para um novo capítulo — um momento em que a doença deixa de ocupar o centro da história e dá lugar à vida que continua.

“Eu venci. E quero que a minha história possa ajudar outras mulheres a também acreditarem que podem vencer”.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Governo avalia manter subsídio de R$ 2,12 ao diesel por 30 dias

Economia

Governo avalia manter subsídio de R$ 2,12 ao diesel por 30 dias

Medida deve ser anunciada ainda nesta semana e evitaria redução do benefício a partir de sábado; subvenção busca conter pressão sobre o preço do combustível no mercado brasileiro

Psicóloga lança livro sobre luto e a dificuldade de encontrar palavras

Capital

Psicóloga lança livro sobre luto e a dificuldade de encontrar palavras

Obra parte da experiência clínica e de memórias de Raissa Ramos Ferreira Pedroli para questionar a pressa em superar perdas; lançamento será realizado neste domingo, em Campo Grande

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo