Dentre os muitos locais adequados para valorizar a cultura de determinada região, um dos destaques, sem dúvida, é o museu. Tudo que fez e faz parte da história está ali, diante dos olhos. Acessível e de graça, para satisfazer a curiosidade e enxergar o tempo de uma maneira diferente. Excelente para perceber a evolução deste mundo tão agitado, onde a tecnologia se desenvolveu de maneira rápida, e as novidades são diárias e instantâneas, na velocidade da Internet.
Então, nada mais correto do que ir para algum museu da cidade. No caso, o Museu de Arte Pantaneira “Manoel Antonio Paes de Barros, em Aquidauana , localizado na Rua Cândido Mariano, 472. O calor é intenso, porém, não é nenhum obstáculo para ir ao local. A temperatura da cidade pode ser alta, mas a curiosidade em redescobrir a história, com certeza, é maior.
Logo na entrada, a primeira ação a ser feita é assinar o livro de registro das visitas. Um pouco mais a frente, uma boa prévia do que está por vir: um quadro de Manoel Antonio Paes de Barros, um dos fundadores de Aquidauana e personalidade que, por sinal, dá nome ao museu. No quadro, Manoel está ao lado da esposa, Virgínia de Barros. Na parede oposta, outro quadro mostra o próprio Museu de Arte Pantaneira.
Recentemente, o acervo do local passou a ser dividido por temas. A primeira sala à esquerda, com o tema “Comunicações”, aborda diversas personalidades aquidauanenses. Em uma das paredes, um cartaz enorme mostra o Conjunto Os Brincalhões, que era formado por cinco integrantes. Nico, Pepeta, Bras, Rubão e Luizinho são pessoas que contribuíram para tornar os bailes de salão mais felizes e, diante do sucesso, chegaram a gravar LP.
Outros cartazes da Sala de Comunicações recordam figuras históricas, como Elídio Teles de Oliveira, fundador da Rádio Difusora, e Décio Correa de Oliveira, um fanático por cinema que inaugurou o Cine Glória, hoje em dia, com lugar especial na memória de cada um que já frequentou aquelas salas e curtiu um bom filme. Também há espaço para José Estevão de Oliveira, apaixonado por artes que se dedicou a fotografia e, atualmente, vive em Navegantes (SC), e Rubens Alves Correa, grande ator aquidauanense, que chegou a recebeu o Premio Moliére de melhor ator por “A Escada”. Dentre os objetos, destacam-se televisões e máquinas fotográficas de várias épocas, vitrolas, um rádio amador e objetos utilizados em cinemas.
Na sala à direita da entrada, o tema é NOB. O local serve para destacar a rica história da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Em meio às fotos que mostram a Maria Fumaça em pontos turísticos, há objetos como trilhos, telefones, maromba (chave utilizada para a mudança de linha) e até um carimbador de passagens. É olhar e admirar os pioneiros no transporte ferroviário, que, recentemente, teve esse capítulo resgatado na região, com a volta do Trem do Pantanal.
Visitantes admiradas
No momento da observação da Sala de Artesanato, vozes femininas ecoam no ambiente. Um grupo de cinco amigas, admiradas, se entusiasma com o acervo das salas. As visitantes demonstram, realmente, muita satisfação com o museu. Na parte do artesanato, o destaque fica para as belas esculturas em diversos métodos, feitas por artista como Edson Simões, Josinez Chaves Dias, Anor Pereira Mendes, Glaucia Silva e Edson Flores. No mais, muitos livros regionais, alguns com poesias que recordam a história pantaneira.
Falando nessa história, é óbvio que não poderia faltar a Sala Pantaneira, lugar para muitos se sentirem, literalmente, em casa. Em meio a objetos conhecidos, há foices, serrotes, enxadas, ferraduras, máquina de costura, moringa de água, ferraduras esporas e parte de um carro de boi. Junta-se a isso objetos populares entre os “pantaneiros tradicionais”, como torques, gamelas, chincha, arreio, cincerro, bridão, etc. Só olhando para ter uma noção, mesmo. Uma das visitantes do local até brinca diante de tanta coisa. “Vou abrir um museu”.
Já a sala em homenagem aos indígenas, povo que muito contribuiu (e contribui) para a história regional, contêm diversos utensílios por eles utilizados. São muitos arcos, flechas, cocares, instrumentos de cerâmica terena e kadiwéu, vasos e quadros. Tudo muito bem restaurado.
Museu: forma de redescobrir a história
No momento da visita, quem estava no local era Tereza Maria de Souza. Carinhosamente chamada de Terezinha, ela trabalha no museu desde 2002 e comenta sobre as pessoas que frequentam o local.
“Tem dias que muitas pessoas visitam aqui, outros dias, nem tanto. Geralmente, o museu é mais frequentado por estudantes e turistas”. Para Terezinha, a visita ao museu pode ser muito interessante para a população.
“Muitas pessoas gostam de observar coisas mais antigas. A curiosidade, a vontade em descobrir e redescobrir, tudo isso torna o museu um lugar legal para ser visitado”.