Sexta-feira, 29 de janeiro de 2010. Essa data ficará guardada na memória de várias famílias. O dia marcou a volta para Aquidauana dos militares que estiveram em Missão de Paz, no Haiti.
Neste ano, a espera pelos militares foi ainda mais nervosa, em decorrência dos fatos que aconteceram em Porto Príncipe, capital do Haiti. A cidade sofreu com um forte terremoto, que deixou incontáveis marcas de destruição e chocou o mundo inteiro.
Cenas de puro desespero registradas a todo o momento no Haiti, país que reconhecidamente sofre com o problema da pobreza e enfrenta mais essa difícil situação.
Em meio a esse cenário, nove militares de Aquidauana, que participaram da Missão de Paz. O retorno de oito deles aconteceu na tarde de sexta-feira, em meio a muita expectativa.
Na sala de espera do 9º Batalhão de Engenharia e Combate, preparada especialmente para as famílias, a ansiedade foi grande. Pais, mães, esposas, irmãos e filhos, todos aguardando a hora da chegada. A todo instante, o Sargento Caetano trazia novas informações para as pessoas que se encontravam no local, ajudando, e muito, para combater a angústia natural do momento.
As crianças presentes na sala também contribuíram para melhorar o clima, falando bastante, com o sentimento de animação natural e peculiar da idade. Pouco antes das 13h, o Sargento Caetano chegou à sala novamente e informou: “Os militares estão vindo de microônibus. A chegada vai atrasar um pouco, mas fiquem tranquilos".
Dos nove militares que foram para a Missão de Paz no Haiti, apenas o subtenente Filho não tinha chegada prevista para sexta-feira. Um dos parentes dele, que estava presente à sala, demonstrou uma compreensão admirável. Primeiramente, pediu mais informações sobre o subtenente. Depois, desejou boa sorte para todos que estavam na sala.
Os minutos foram passando. A certa altura, na verdade, já pareciam horas, tamanha à expectativa. Do lado de fora do 9º BE Cmb, o momento parecia estar próximo. Ao longe, a cerca de 200 metros, enfim, surgiu o microônibus.
E, exatamente às 13h20, os fogos anunciaram a chegada. O microônibus fez o trajeto pelo 9º BE Cmb, até que estacionou no local designado. Um a um, os oito militares desceram do veículo e receberam os aplausos dos presentes. Fez-se impossível, para os familiares, esconder a emoção. Muitos abraços e a calorosa recepção traduziram, mais do que qualquer palavra, o significado do momento.
Palavras de quem viveu
O 3º Sargento Marlon Max (24 anos) é um dos nove militares de Aquidauana que estiveram na Missão de Paz, no Haiti. Durante sete meses, ele pôde compreender, de forma bem particular, a vida em um dos países mais pobres do planeta.
Os militares de Aquidauana que participam da Missão de Paz, representando o 9º BE Cmb, realizam diversos trabalhos no Haiti. "Trabalhamos na construção de pontes, escolas e orfanatos, por exemplo. Também ajudamos no abastecimento de água, dentre outras funções", explica o 3º Sgt. Max.
Segundo ele, o terremoto que destruiu o Haiti e chocou o mundo, algumas semanas atrás, foi muito triste. "É difícil para nós, brasileiros, ter a noção do que é um terremoto, de fato. No início, parecia que tinha alguém mexendo tudo. Apenas instantes depois, quando ficou muito forte, deu para perceber o que se passava".
O 3º Sgt. Max afirma que, na hora do tremor de terra, pensou muito na família. Como os meios de comunicação caíram no Haiti naquele momento, o primeiro contato com os pais e a esposa só pôde ser feito quatro horas após o acontecimento.
O terror que tomou conta do país, após o terremoto, foi uma das coisas que mais chocou os militares brasileiros. "O que se via era um cenário de guerra, parecia um bombardeio. O Haiti esteve irreconhecível, tudo foi destruído diante dos olhos da população".
Nos últimos dias, a situação mais comum era o abandono dos corpos, muitos jogados nas calçadas e cobertos apenas com um pano. Para o 3º Sgt. Max, a situação do país, no pós-terremoto, ficou ainda mais alarmante.
"Cerca de 75% da estrutura de Porto Príncipe, capital do país, ficou totalmente destruída. O Haiti precisa de muita ajuda, para que possa se reerguer".
9º BE Cmb
Nos últimos anos, o 9º Batalhão de Engenharia e Combate de Aquidauana vem desenvolvendo um papel fundamental no Haiti. Nas Missões de Paz, os militares contribuem para o país de várias maneiras, principalmente, nas construções e no abastecimento de água.
Juntamente com o 3º Sgt. Max, outros oito militares do 9º BE Cmb. participaram da missão nesses últimos sete meses. O Subtenente Filho, o 1º Sgt. Souza e o 1º Sgt. Airton, o 2º Sgt. Flaviano, o 3º Sgt. Campos, o Cabo Mendes, o Cabo Lemos e o Cabo Guilheu.