“Cantai ao Senhor um cântico novo, porque fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a salvação”. Salmo 98
Vou contar a todos quem foi Ione da Silva. Pessoa de nome singelo, de família comum. Senhora que já não está mais entre nós, foi muito mais que isso para mim, seu neto.
Nasceu na região rural da Nhecolândia, provavelmente, em local ermo, denominado Baía do Jacaré. Criou-se em fazenda, seu pai o mascate Antônio Alfredo, sua mãe Maria Luisa (Quita). Casou-se, criou três filhos e três adotou, Eva, Nilson e Douglas; Antônia (Sapato roxis), Álvaro e Tânia (Neta). Fez sacrifícios para mantê-los, longe do esposo (Ninito), lavou, passou, às vezes, fez renda para completar o sustento da família.
Sua disposição era admirável, exemplo de perseverança, tenacidade, mesmo em seus últimos instantes queria viver; mas, não deixou de atender ao chamado do Pai.
Nunca teve posse, nunca teve carro, apenas a família, entretanto, cruzava Aquidauana a pé, de um lado a outro para atender um irmão, para visitar a tia Paulina, o tio Darci. Por mim e minha família atravessou o país.
Os netos, carregava-os a tira-colo, para qualquer lado, não media esforços. Era avó de muitos, era nossa heroína. Ficava às vezes impaciente com tanta responsabilidade, preocupada por de mais, mas, por fim, era carinhosa.
Fizemos muitas travessuras e sem desapontamentos fomos censurados, apenas isso. Muito humorada sempre, foi a melhor contadora de causos que já conheci, não esquecerei a da neta do Barão do Leverge (ela possivelmente).
Morou em vários cantos desta cidade, por último, a sua casinha verde, na rua Duque de Caxias, 1403, vai trazer tantas lembranças. Estará lá agora sem o seu mate madrugueiro; sua companhia era apreciada por todos.
Era excelente cozinheira, da sua gastronomia não vou esquecer o carreteiro, a pizza de sardinha e doce de goiaba (oreia de nego). Todos apreciavam.
Sua cabeça branca não mais será vista pelas calçadas da cidade, desfilando, refletindo a sua idade. Fomos felizes ao seu lado, orgulhosos de tê-la como matriarca desta família (Franco e Silva). Seu exemplo de vida, de luta, tornou-a nobre, respeitada, admirada.
Eis aí a Ione da Silva, minha avó.
“Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade, apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias” Salmo 51
Duduga e netos
vó Ione
10/04/1928 – 13/07/2010