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Aquidauana

ENTREVISTA LÉIA CARLA RODRIGUES DOS SANTOS

O Melhor de Aquidauana é seu povo, simples e hospitaleiro

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Egressa do curso de Agronomia de Aquidauana aceita no Doutorado da UNESP, jovem aquidauanense conta um pouco de sua trajetória e diz que tem orgulho de sua terra
A idéia do sistema de cotas nas universidade, contestada por inúmeros juristas, que alegam desacordo de seus termos com o princípio da isolonia e de igualdade, fez justiça em Aquidauana aos esforços de uma jovem. Léia Carla Rodrigues dos Santos aproveitou a oportunidade dada pela lei para cota de negros, estabelecida em Mato Grosso do Sul em 2003, e teve desempenho brilhante no curso de agronomia da unidade da UEMS de Aquidauana, onde também cursou o mestrado.

Justo nos dias em que o município celebra os 118 anos de fundação, essa aquidauanense, ex-aluna das escolas Marechal Deodoro da Fonseca e Cândido Mariano, onde fez, respectivamente, o ensino fundamental e o ensino médio, teve uma das melhores notícias de sua vida: acaba de ser aceita no curso de doutorado da UNESP, campus de Ilha Solteira, uma das mais conceituadas instituições do país nesta área. Para um município que firma-se cada vez mais como um pólo regional de ensino, a conquista de Léia transcende seus próprios limites. Mais que isso, é um presente para Aquidauana.

Em entrevista ao Pantaneiro ela lembra das pessoas que foram importantes , como fonte de estímulo ao longo de sua caminhada, entre elas os avós maternos – Otacílio e Marisete – responsáveis por sua criação e os irmãos Vinicius e Pedro Junior (“meus amores”) e Vivian Mayara, Aline Muriel, Adalto Junior, Gabriella Kalmily e Wanderléia Rodrigues dos Santos, esses últimos do segundo casamento de sua mãe. Nos estudos, uma família modelo. Wanderléia, por exemplo, também passou no mestrado em agronomia. Hoje faz estágio na Embrapa, com melhoramento genético de soja. Léia trabalha com fruticultura tropical e frutíferas nativas do pantanal e do cerrado. “Somos muito unidas e amigas”, diz.

Pantaneiro – A projeção de seu nome nos últimos dias suscitou curiosidade em muitos. Pode falar de seus gostos pessoais?

Comida: Frango assado e verduras. Não gosto de doce.
Time do coração: Flamengo.
Gosto musical: Gosto de ouvir todo tipo de música, mas para cançar bom é o sertanejo, especialmente o chamamé.
Ídolo: Gino e Geno e minha mãe, que consegue transformar qualquer coisa ou comida simples em coisa mágica.
Paixões: Minha família, em especial minha vovozinha Marisete, minha Tata Wan e o meu noivo Luciano Aguilar Larson.

O bullying é um assunto atual. Tem até um projeto interessante em Aquidauana, o “E se fosse você”. Pode opinar?

Acho que é o nome moderno para violência, que ocorre em todos os setores da sociedade, com humilhação e intimidação. Isso ocorre muito na política e muita gente acha normal, ou não se incomoda. Mas é muito triste e vergonhoso. O pior bulling é o que acontece nas escolas, onde devia ser um lugar de formação do caráter social da criança, e também nos sites de relacionamento da internet, que deviam sociabilizar e facilitar amizades, mas acabam criando uma tecnologia de informações negativas.

Conte-nos um pouco de sua experiência universitária.

A universidade me deu oportunidade de me conhecer como cidadã, e hoje a ter uma profissão, além do que, as oportunidades de emprego são muito poucas aqui em Aquidauana, então a solução para mim sempre foi estudar e me dedicar. A UEMS me fez conhecer vários lugares e fazer muitos amigos.

Minha maior dificuldade foi financeira, contudo consegui bolsa de pesquisa no 2° de agronomia, mas com isso eu teria que trabalhar mais na faculdade nas horas vagas e estudar mais para manter a bolsa, pois não poderia ter reprovação. A distância da UEMS da minha casa foi outro desafio, pois são 12 km. Tive bolsa de pesquisa PIBIC por 2 anos e meio e isso me ajudou a me manter, ajudava em casa, comprei meu computador e consegui tirar minha carteira de motorista. Ainda pude comprar minhas coisas sem depender muito da família, tudo graças a bolsa de pesquisa.

Minha maior alegria foi passar no mestrado em agronomia em 1º lugar, isso foi muito bom, pois poderia ficar aqui em Aquidauana perto da minha avó (meu avô tinha acabado de falecer) e estudar aqui. E meu currículo ter sido aprovado na Universidade Federal do recôncavo Bahiano (UFRB). Fiz meu estagio de conclusão de curso na Bahia, em Cruz das Almas, na Embrapa Mandioca e Fruticultura, onde fiz belos amigos. Concerteza se eu não estivesse na faculdade não seria nada que sou hoje.

Como você recebeu a notícia de ser selecionada para o doutorado da UNESP?

Sempre tive fé, mas achava que era difícil entrar lá, mandei meu dados pessoais, currículo e fiquei na espera, então tentava não pensar muito no resultado. Mas olhava no site da Unesp todo dia. Quando vi meu nome na lista fiquei em choque, agradeci a Deus, chorei muito e quase morri de tanta felicidade. Agora e terminar o mestrado para seguir em frente, termino em fevereiro e o doutorado começa em março. Fui abençoada!

Aquidauana está completando 118 anos. Sobre ela você declara ser sua casa e seu orgulho. O que você entende que falta em sua cidade?

Que o povo Aquidauanense acredite nele e não tenha medo de vencer as dificuldades. Emprego falta aqui e em todo lugar, no entanto é preciso estudar mais e se especializar, aproveitar o que temos de melhor, mesmo sendo pouco. É importante também que algumas brigas e divergências políticas sejam esquecidas, ou ainda se possível, sejam tiradas do foco. E que haja maior comprometimento com o bem estar da população, principalmente na saúde e educação, ocupando a cabeça dos jovens e adolescentes com atividades boas, senão eles irão se ocupar com coisas menos positivas. O melhor Aquidauana já tem que é seu povo, simples e hospitaleiro. Também acho que poderíamos investir mais no ecoturismo, aqui tem cada lugar lindo, que merece ser divulgado e protegido!

Que conselho deixa para quem almeja "chegar lá" em relação a uma conquista pessoal?

Acho que sempre devemos manter a fé, mas não esperar que as coisas caiam do céu. Só nós mesmos somos responsáveis pelas nossas escolhas e conquistas. E sempre ter um bom humor para sair de situações ruins, ver o lado bom das coisas, pois nem tudo que queremos pode ser nosso. Meu avô, Otacílio Pereira dos Santos (in memorian), que sempre foi um pai para mim (ele nunca teve oportunidade de estudar) sempre dizia que “devemos acordar cedo e estudar muito, pois quem dorme muito deixa a vida passar”.
 

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