O pólo de Aquidauana do Centro de Educação a Distância e o Núcleo de Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Universidade Anhanguera-Uniderp realizaram entre os dias 22 e 27 de novembro pesquisa de opinião pública sobre consumo no Natal e uso do 13º salário junto a habitantes dos municípios de Aquidauana e Anastácio. O trabalho envolveu estudantes do CEAD e foi coordenado pelos professores do Nepes Celso Correia de Souza e José Francisco dos Reis Neto.
“O mês de dezembro sempre traz um grande ânimo para o comércio e para as pessoas. As Festas Natalinas renovam o espírito humano, principalmente, com a entrada de um dinheiro tão esperado como o 13ª salário do trabalhador. Da mesma forma, o comércio espera a entrada desses recursos nas suas transações econômicas”, fala o professor José Francisco. Segundo ele, o objetivo foi verificar as principais características econômicas e financeiras dos consumidores desses dois municípios, de tal forma a entender como as famílias estão neste final de ano e como deverão ser as compras natalinas.
De acordo com o levantamento, nessas duas cidades devem ser injetados R$ 21 milhões de recursos provenientes do 13º salário dos trabalhadores empregados. “Isso corresponde a 80% dos consumidores que deverão ir às compras de Natal e que, de uma forma ou de outra, pagarão as suas dívidas vencidas”, explica Reis.
Compras de Natal – Quase 60% dos consumidores de Aquidauana e Anastácio farão as suas compras de Natal. Outro dado importante para o comércio local é que o empregado deverá deixar em média 27% do seu 13º salário em compras natalinas, por volta de R$ 4 milhões. Parte desse valor circular em outras cidades, pois alguns consumidores irão comprar em Campo Grande (16%) ou pela Internet (6%). A grande escolha dos compradores será nas lojas do centro (40%) e no camelódromo (23%) de Aquidauana, seguido do centro de Anastácio (6%) e supermercados (5%), dentre outras lojas.
“Os presentes serão úteis e centrados em roupas (34%), brinquedos (21%), calçados (15%), perfumes e cosméticos (9%). Alguns escolherão comprar eletrodomésticos (4%), dentre eles a escolha prevalece para ar condicionado (22%), fogão (14%), máquina de lavar roupa (14%) e geladeira (13%). Quase 4% dos compradores deverão adquirir móveis. A escolha cabe, principalmente, ao sofá (19%), guarda roupa (13%), móveis para cozinha (10%) e cama (9%)”, explica o professor Celso Correia.
Segundo ele, ainda, os compradores deverão escolher em média quatro presentes para os seus entes queridos, a um valor médio ao redor de R$ 75,00 cada um. Os lojistas devem ficar contentes com este número e valor de presente, mas também com a informação de que o consumidor quer comprar à vista, pois deverá pagar em dinheiro (45%) ou cartão de débito (4%). Se a escolha for o pagamento parcelado, a forma de financiamento será no cartão de crédito (20%), carnê da loja (27%) ou bancário (0,3%), em média em cinco prestações.
“Esta forma de pagamento dará um menor risco de venda ao lojista, garantindo uma boa entrada de dinheiro nesta época do ano. O que se tem que fazer é atender estes consumidores e preparar o seu comércio para as vendas, que deverão ocorrer em dias muito próximos do Natal. Como sempre, o consumidor deixará as suas compras para o último momento, mas será uma entrada de dinheiro assegurada e uma felicidade para o comércio destas duas cidades co-irmãs”, destaca o professor José Francisco.
Uso do 13º Salário – De acordo com a pesquisa, mais de 29% usarão o 13º salário para pagar dívidas vencidas, 23% usarão nas compras de Natal, 17% pouparão e 12% reservarão para pagar os impostos e tributos do inicio do ano. Ainda, 10% disseram que o 13º salário irá ajudar na viagem de férias, 8% reformarão a casa e quase 1% comprará bens duráveis como carro, motocicleta ou casa.
As principais dívidas que deverão ser saldadas, relacionadas pelos entrevistados, são o cartão de crédito (22%), a loja (20%), o financiamento (9%) e regularizar o seu nome junto ao SPC ou Serasa (7%). “Se por um lado eles deixarão de pagar as lojas se não tiverem dinheiro, por outro lado os lojistas são lembrados aqui como um dos primeiros a serem beneficiados com a parte do 13º salário e as contas passadas podem ser quitadas”, aponta Reis.
Orçamento doméstico – A pesquisa realizada pelo pólo e pelo Nepes revelou ainda dados relacionados ao orçamento doméstico das famílias dos dois municípios, indicando que a situação está equilibrada. Apenas 29,5% das famílias disseram que vai faltar dinheiro do seu orçamento para pagar todas as contas. Já para 35,1% vai sobrar dinheiro e para 35,4% o dinheiro vai entrar na medida certa para quitar as contas, sem sobras.
“Como não existe um histórico da situação econômica das famílias, não é possível afirmar se a situação delas melhorou ou piorou em relação ao ano passado. Mas, se compararmos com outras cidades brasileiras, em que há o crescimento do ganho real, podemos estimar que elas estão em melhores condições do que nos anos anteriores. Se não fosse o fechamento do Frigorífico de Anastácio e houvesse estabilização do ganho da pecuária durante ao longo do ano, as pessoas dessas duas cidades poderiam estar muito melhor do que hoje”, pontua o professor Celso Correia.
Segundo ele, para aquelas nas quais faltará dinheiro no final de ano, algumas atitudes interessantes e práticas devem ser tomadas, outras podem ser consideradas negativas para o comércio local. Se faltar dinheiro, 32% deixarão de consumir alguma coisa e 14% (tem algo faltando aqui). Mais de 17% buscarão dinheiro junto a amigos, bancos ou vão retirar da poupança. Outros 13% comprarão com cartão de crédito, 13% não pagarão contas ou prestações e 3% não irão pagar impostos.
A lista das contas que não irão pagar, para aqueles que não terão recursos suficientes nesse final de ano, está distribuída da seguinte forma: 23% deixarão de pagar as lojas; 8%, o cartão de crédito; 8%, o telefone fixo; 8%, o banco; e 6%, o celular. Em menor porcentagem ficam os planos de saúde, a água, o aluguel e a energia elétrica. Isso indica uma escala de prioridades.
Mais de 58% dos entrevistados disseram que as suas famílias não possuem contas atrasadas. No entanto, das 37% das famílias que têm conta atrasada essas estão relacionadas com as lojas (28%), cartão de crédito (16%), banco (10%) e água (9%), dentro das mais indicadas. “O comércio lojista de Anastácio e Aquidauana deve ficar atento e todo cuidado deverá ser pouco para não aumentar o seu nível de inadimplência, pois eles serão os primeiros da lista na escolha dos consumidores sem dinheiro para honrar os seus compromissos”, finaliza José Francisco.