Um dos casos mais violentos dos últimos tempos, cuja impunidade dos autores incomodava a população de Aquidauana e região, finalmente foi desvendado.
Estão presos, na Delegacia de Aquidauana, os jovens Ronei Grumiker Schmidt e Claudinei dos Santos, ambos de 25 anos, que mataram o taxista Eudes Paulo Cunha Viana, em crime ocorrido em abril de 2009, quando a vítima tinha apenas 23 anos.
Segundo a reportagem do site O Pantaneiro apurou no 1º Distrito Policial, a dupla foi encontrada após a apreensão do veículo Fiat Uno, cor cinza, placa HRY 3136 - Aquidauana, exatamente o que era conduzido por Eudes no dia do crime. O veículo estava de posse de um rapaz de 27 anos, em Diamante do Norte-PR. Os policiais suspeitaram do fato de que o carro não constava no cadastro do Detran do Estado do Paraná.
O comandante do destacamento da cidade de Guairaçá-PR, sargento Magalhães, juntamente com sua equipe de policiais, constatou que o veículo era produto de roubo ocorrido em Aquidauana. A placa já estava pintada na cor branca - táxis têm placa original vermelha - e com tarjeta da cidade de Paranavaí-PR. Imediatamente, o sargento Magalhães entrou em contato com o Serviço de Inteligência do 7º Batalhão de Polícia Militar de Aquidauana.
Após serem comunicados, os policiais do 7º BPM efetuaram buscas no sistema e descobriram que o veículo apreendido pela PM do Paraná é o mesmo que Eudes conduzia no dia em que foi assassinado. A equipe de Aquidauana reuniu todas as informações, inclusive o retrato falado dos suspeitos, e encaminhou ao comandante do destacamento de Guairaçá-PR, que prosseguiu com as buscas e fez uma série de investigações referentes ao veículo roubado e ao paradeiro dos suspeitos.
Durante a noite da última segunda-feira (21), os policiais se deslocaram até a cidade de Planaltina-PR, onde localizaram um dos suspeitos do latrocínio, Ronei Grumiker Schmidt, que acabou confessando sua participação no crime. O segundo suspeito, Claudinei dos Santos, foi detido numa propriedade rural da cidade de Santo Antônio do Cauiá-PR, na divisa com São Paulo, e também confessou participação no assassinato de Eudes.
Na manhã desta quarta-feira (23), os dois assassinos chegaram a Aquidauana e já estão à disposição do delegado titular do 1º DP de Aquidauana, Mário Donizete, que organizou e coordenou a equipe de escolta dos autores.
O veículo está à disposição da Polícia Civil, no Estado do Paraná, onde passará por perícia.
Segundo a assessoria do 7º BPM, o profissionalismo e a dedicação dos policiais militares do destacamento de Guairaçá-PR, em conjunto com o empenho dos policiais do serviço de inteligência do 7º BPM, foram fundamentais para que a dupla não ficasse impune.
O sargento Magalhães, comandante do destacamento de Guairaçá-PR, frisou que toda a operação teve êxito graças ao total apoio da Policia Militar e da Policia Civil de Aquidauana, assim como do Poder Judiciário. “Quando se estabelece parcerias, o resultado sempre é positivo”, disse o comandante.
O crime
O taxista Eudes Paulo Cunha Viana foi assassinado no dia 02 de abril de 2009, durante uma corrida até Nioaque.
Claudinei e Ronei, os passageiros, já tinham planejado o assalto e até compraram um revólver de um morador local. Durante a corrida, um deles disse que estava com vontade de urinar e pediu para que Eudes parasse o veículo, um Fiat Uno. Foi o momento em que o jovem taxista foi morto pelos bandidos, que roubaram o táxi e cerca de R$ 300,00 da vítima.
Depois de cometerem o crime, Claudinei e Ronei fugiram para o Estado do Paraná, onde comercializaram a arma usada no crime e o Fiat Uno.
O corpo de Eudes foi encontrado no dia 07 de abril, em estado de decomposição, às margens da rodovia MS 419. O enterro, cercado de grande comoção popular, foi no Cemitério Municipal de Aquidauana.
Eudes tinha 23 anos e trabalhava no Ponto de Taxi nº 06, na Praça dos Estudantes. Além de taxista, era formado em turismo. As pessoas próximas dizem que ele tinha o cotidiano marcado pelo trabalho, vida em família, apego aos amigos e as coisas comuns de todo jovem saudável de sua geração. Ao pensar no futuro, projetava esposa, filhos e a vida comum do lar.
Inquérito
A reportagem de O Pantaneiro apurou que o inquérito sobre o caso levará até dez dias para ser concluído. O primeiro interrogatório com os assassinos aconteceu ainda na manhã desta quarta-feira.
Uma coletiva com a imprensa está marcada para esta quarta-feira, às 15 horas, no 1º DP, com a presença da reportagem do site O Pantaneiro. Novas informações serão divulgadas a qualquer momento.