Um conceito bíblico lembra-nos que não devemos remover os marcos antigos. Tudo o que somos hoje, 119 anos depois de um começo histórico às margens do Rio hoje Aquidauana, devemos aos pioneiros e outros que, depois deles, delinearam os contornos dessa terra ?amada e idolatrada?.
Neste sentido, a iniciativa da Escola Estadual Luiz Mongelli, de homenagear o musicista que lhe empresta o nome, no recente desfile do aniversário da cidade, produziu um momento emocionante e manteve viva a sua rica história, que remonta a Bitonto, na Itália, de onde ele saiu nas primeiras décadas do século passado, acompanhando uma companhia lírica que depois de longa excursão na América Latina, se desfaria em Corumbá.
Não pode ser esquecido um homem que tocado pelo encantamento do que via no dia a dia de Aquidauana nos idos da década de vinte do século passado, musicaria seu hino, certamente um dos mais belos do Estado de Mato Grosso do Sul.
Justiça seja feita também ao Governo Municipal de Aquidauana, que tem procurado resgatar da nossa história personagens que, legados a um plano secundário pelos que produzem homenagens póstumas, tiveram papéis importantes em áreas específicas do município.
Se almejamos avançar no ideal de sermos um município pujante ou de ponta no Estado, como já fomos na época do antigo Mato Grosso, não podemos ignorar o passado e seus marcos.
Que insira-se nos conteúdos programáticos de nossas escolas outros capítulos de nossa história, uma das mais ricas do Estado, onde inserem-se a presença espanhola, quando o Brasil ainda era um país em formação; a saga dos terena na Guerra do Paraguai; a luta do homem pantaneiro, o impulso progressista dado pela ferrovia, etc.
Com esses e outros referenciais o Hino de Aquidauana não poderia ser comum. Sua letra, escrita por um poeta nato, Dr. Vicente Maurano, reflete os encantos e belezas que Deus nos outorgou. E sua melodia, construída por Mongelli, é uma como uma moldura especial que confere valor inestimável a um quadro raro.
Que deste quadro sejam pinçados outros personagens, fazendo-se justiça ao que fizeram, em muitos casos movidos unicamente pelo amor que nutriram por Aquidauana. Assim, ao cantarmos nosso maravilhoso hino, mais do que os personagens nele retratados, mais do que Mongelli e Dr. Maurano, nos lembraremos de todos e nossa canção, então, será completa.