Zé Linguinha, citado na coluna Conexões, desta edição de sexta-feira do Jornal O Pantaneiro, obviamente é apenas um codinome para cunhar as pessoas que usam do poder da língua para disseminar informações, nem sempre confiáveis. Essas pessoas estão em todos os lugares. No ambiente político então, proliferam!
Bastou alguém observar, e de forma correta, que políticos proeminentes não deram as caras no recente e bem sucedido Festival Pantaneiro para que alguns desses ?zés? entrassem em cena para falar um monte de coisas. Como a língua tem um duplo poder, ou seja, para o bem e para o mal, resolvemos pensar nesta discussão de um outro ângulo.
Se a ausência de figuras importantes do universo político num evento de peso como este em alusão pode, na perspectiva de alguns, ser um indicativo negativo para o grupo político gestor ? e existe um fundo de verdade na observação ? por outro lado pode levar-nos a outra reflexão.
Pensemos nas muitas pessoas, quase sempre esquecidas nas discussões acaloradas da política que envolvem lado A e lado B e, em alguns casos, até um lado C, não apaixonadas pelas ações dos espertos políticos, a mais comum delas dar tapinhas nas costas ou distribuir sorrisos quase sempre forçados ? mas necessários no jogo ? ou até tirar as famosas fotos em ajuntamentos populares. O que eles acharam do Festival?
Um evento como o Festival Pantaneiro, centrado em nossas tradições culturais mais relevantes, sem o assédio dos chamados políticos profissionais, foi ?muuuuuuuuito bom!? como definiu uma jovem participante, em seu twitter. Político na área, para muitos com ela, desencantados, tira a espontaneidade de muita gente.
Acostumados e quase sempre decepcionados com muitos desses profissionais, os cidadãos contados neste segmento dos não engajados, porém não alienados, não costumam fazer o jogo do faz de conta que está sendo bom receber um afago no meio do público. Quando fotografados, então, dá arrepios. Nunca se sabe se, no futuro, alguém poderá fazer uso impróprio do momento ou momentos registrados.
Tem até ?Zé Linguinha? que gostou dessa coisa de não ter ?político graúdo? no Parque de Exposições. ?Tem hora que cansa?, desabafou, entre um prato de arroz carreteiro e outro, preparado por um peão de comitiva.
É provável que até os personagens principais da festa, ou seja, os próprios homens pantaneiros, envolvidos com montarias, preparação de pratos típicos, gineteadas, etc., tenham gostado desta despoluição visual, pois quase sempre políticos só aparecem no difícil, mas apaixonante cenário de suas lidas, em épocas eleitorais.
Por essas e outras, se alguém de repente observar que a terceira edição do Festival não incorporou novidades, embora elas existissem, poderíamos tranquilamente argumentar que o grande diferencial da edição foi exatamente esse. O povo pulsante. E os políticos distantes! Aleluia!