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Política e religião

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Quem não ouviu o bordão: ?política e religião não se misturam?.  Na prática esse conceito tem gerado várias posturas. Entre os religiosos cristãos há quem invoque a pureza do evangelho em contraste com a ?sordidez? da política, como se as Escrituras não contivessem elementos da práxis política e como se essa fosse sinônimo de algo abominável.  São os que ingenuamente se autoproclamam  ?apolíticos?,  o que é utopia.
 
O que dizer dos que se engajam na política, sendo religiosos, e defendem que exatamente por política e religião não se misturarem, não importa o que façam, desde que façam? Para esses, existem compartimentos estanques na vida. Não importa o que se faça na vida pública, desde que fora dela, no campo religioso, mantenha-se a farsa da participação nos ritos ou se ajude a manter o fogo do altar aceso.
 
O espaço não permite a análise de outras variantes, mas é preciso, nesses tempos em que especialmente os templos religiosos ou os ajuntamentos solenes, também religiosos, começam a ficar na mira dos militantes políticos, fazendo com que esses rezem para todos os santos e sejam solidários com todas as matizes religiosas, até aquelas que lá no íntimo  condenam, que se diga uma coisa: política e religião deveriam sim, se misturar. Pelo menos num sentido. 
 
Quem analisa os conteúdos pelo menos da maioria das religiões sabe que um  primado comum a todas é a defesa da ética e do respeito entre todos os homens. Talvez até por isto no viés predominante, pelo menos em termos nominais, da religiosidade de nossos políticos, o cristianismo, alguma coisa não está certa. Ou os mensageiros, sejam eles pastores, padres, bispos ou apóstolos, não estão dialogando corretamente com seus fiéis ou esses, como na história bíblica, insistem em desobedecer.
 
Político verdadeiramente religioso jamais deveria usar de artifícios como a mentira, a perseguição, o roubo e por aí vamos. Mas, não é o que temos visto? No escândalo de vulto mais recente, neste campo, o presidente, preso, da Assembléia Legislativa de Rondonia, deputado Valter Araújo, é líder evangélico, ligado a maior denominação deste segmento no Brasil. Com seus comparsas teria desviado algo em torno de R$ 120 milhões, grande parte recursos destinados à saúde.
 
Se o conteúdo das religiões universalmente mais conhecidas realmente fizer parte da prática política e não meramente do discurso, as ações políticas seriam diferentes. Por isto, enquanto a hipócrita visão de que essas coisas não se misturam continuar a perdurar, a prática religiosa continuará permeada do que é mais perverso da prática política  e vice versa.

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