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Os índios, nós e os missionários

As nações indígenas, como vários segmentos da sociedade, têm uma história de lutas

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Todos os anos, quando se aproxima o 19 de abril e mais especificamente ao longo da chamada Semana do Indio, muitas discussões são deflagradas a respeito desses que foram os primeiros moradores da Pátria amada Brasil.
 
As nações indígenas, como vários segmentos da sociedade, têm uma história de lutas. A maior, delas, talvez, seja contra a discriminação. Outro dia, por exemplo, repercutiram nas redes sociais as mensagens postadas em um twitter por uma pessoa ? que seria uma jovem mulher -, marcadas pelo preconceito em relação ao grupo artístico da nação kaiowá, da região de Dourados, que se apresentou no programa da Xuxa.
 
Obviamente muito do que se diz sobre as nações indígenas é fruto da ignorância.  E se constitui uma grande injustiça, principalmente quando não se conhece a rica história de algumas etnias. É o caso daquelas que por aqui já faziam morada em nossos primórdios. Os terena, por exemplo, de ascendência que remonta ao chaco paraguaio, deram importante contribuição ao país por ocasião dos conflitos com os paraguaios, assumindo o lado pátrio, independente das reais motivações do conflito, fruto, até hoje, de controvérsias no mundo acadêmico.
 
Se neste ano as celebrações do dia do índio incluíram um marco histórico -  os 100 anos do início da evangelização terena, a partir de missionários advindos de outras terras, especialmente a Escócia -  faz-se jus lembrarmo-nos que as missões cristãs estão entre as instituições que, inversamente, sempre se empenharam por defender seus direitos elementares, vendo-os, também, como feitos a imagem e semelhança do criador.
 
Talvez como muitos filhos não precisam de presentes de seus pais, a não ser o respeito e o carinho, o melhor presente que se pode dar aos primeiros filhos de nossa terra seja o respeito a sua gente, tratada por alguns como sub raça.  No dia que isto acontecer o Dia do Indio será meramente um capítulo de um livro maior, porque permitiremos a eles a alegria de serem vistos com outros olhos, todos os dias.  Neste tempo determinadas posturas e principalmente expressões que ainda caracterizam a mais vil discriminação serão coisa do passado. Passado que é o presente de hoje, aonde, felizmente, muitos homens de boa vontade e índole levantam bandeiras de justiça. Como os missionários.

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