Não é uma situação nova, que chega a surpreender. Ainda assim, impressiona quem passa e observa. À primeira vista, sem conhecer, fica difícil imaginar que aquele local foi o ponto alto de festas que marcaram a história da Princesa do Sul.
Realmente, foi em algum dia de um passado que parece cada vez distante. A sensação de abandono é rapidamente perceptível, logo que se vê a fachada. Em meio a um muro branco, sujo, letras vermelhas que lutam para resistir ao tempo e mostrar que se trata do Clube Feminino, uma das grandes referências de Aquidauana, localizado perto da Ponte Velha, que liga o município a Anastácio.
Suja, a calçada se tornou um banheiro para os animais que passam pela região. Não há muros na divisória com a antiga quadra de esportes. Quem quiser, pode entrar. O portão lateral é um dos símbolos mais visíveis da frieza que, certamente, contrasta com a alegria dos grandes bailes de carnaval e festas de formatura, entre outros eventos que, hoje, se tornam motivos de recordações nos álbuns de fotos.
Sim, aquele portão ainda existe. Porém, quebrado, amarrado a um velho cadeado, sem a maçaneta. Como se fosse um aviso do que está por vir. Os pisos onde os sapatos de gala deixaram suas marcas se tornaram um depósito de lixo. Assim como os guichês. São folhas, panos velhos e até mesmo uma camisinha jogada ao chão.
Caminhar discretamente é um exercício impossível. O barulho das folhas sendo pisadas ecoa pelo ambiente. O portão de entrada para o grande salão, sem os vidros, está fechado. Mas, nem é preciso entrar para perceber que, do lado de dentro, a situação é igual ou pior.
Se a primeira impressão é a que fica...
O jovem Uilhatan de Oliveira mora há menos de um mês em Aquidauana. Nem imagina que ali, perto da sua casa, o Clube Feminino já teve seus dias de glória. "É uma situação de total abandono. Desde que cheguei, sempre ouvi falar das histórias do Clube Feminino", conta.
Ele alerta para um problema que os moradores da região enfrentam, principalmente, no período noturno. "Isso daí, à noite, acaba se tornando um lugar perigoso, ponto de encontro para marginais".
Para Uilhatan, a solução seria que a população e as autoridades, juntas, se unissem para tentar resolver a questão. "Falta um pouquinho de incentivo, olhar público para que se encontre um meio alternativo de aproveitar a estrutura do Clube?.
Abandono traz risco à saúde, reclama casal
O casal Estevão e Vera Lúcia mora em frente ao Clube Feminino há mais de quatro décadas. Ambos conhecem, como poucos, a transformação pela qual o local passou nos últimos anos.
"Já pensei em fazer um abaixo assinado para que, em médio prazo, essa situação mude. Não sei se a Prefeitura poderia tomar posse, desconheço essa questão", diz Vera.
Houve uma época em que a Câmara de Aquidauana manifestou interesse de realizar o arrendamento do local, mas, conforme apurou a reportagem do Site O Pantaneiro, os sócios não concordaram. Porém, segundo Vera, dificilmente seria uma situação resolvida rapidamente.
O grande problema do local, talvez, é a área da piscina. Uma água totalmente suja, em meio ao matagal que parece não conhecer uma enxada há algum tempo. Foco para muitas doenças, como a dengue. "Já teve epidemia de dengue aqui no bairro, sim. Nos últimos tempos, a Prefeitura tem mandado equipes de limpeza para carpir a área da calçada, deu até uma melhoradinha no visual. Estava muito pior antes", explica Vera.
Além da área da piscina, os banheiros, obviamente, também se encontram em situações precárias. O mau-cheiro pode ser sentido a metros de distância. Portas danificadas, sujeira espalhada pelo chão, tetos quebrados e sanitários em más condições de higiene.
Futuro
De gerações diferentes, Uilhatan e o casal Estevão/Vera destacam que a história do Clube Feminino não pode ficar assim, abandonada, como se fosse um lugar qualquer. Acreditam que a sede é um patrimônio aquidauanense que merece mais respeito, e poderia ser transformada em uma área alternativa.
Diante do cenário desanimador, muitos tucanos pousam na árvore ao fundo, em pleno fim de tarde da Princesa do Sul. Em grupos, rasgam o céu - que vai ficando quase totalmente nublado -, rumo ao Pantanal. O sol, porém, insiste em aparecer e brilhar, como se representasse uma luz de esperança para que o Clube Feminino volte aos seus melhores dias.