Percorrer 32 mil quilômetros em dois anos, de bicicleta, por todos os países da América do Sul. Essa é a meta dos irmãos equatorianos Mario e César Villegas, que muitos definiriam como aventureiros. De passagem pelas cidades vizinhas de Aquidauana e Anastácio, a dupla é adepta de uma modalidade esportiva conhecida como cicloturismo, que consiste em viajar utilizando uma bicicleta como meio de transporte.
Desde que saíram do Equador, há um ano e um mês, Mario e César já percorreram mais de 16 mil quilômetros. Ou seja, tudo conforme o planejado. O trajeto cumprido até aqui inclui, além do Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.
Para viajar por tantos países, os irmãos juntaram uma quantia em dinheiro. Para ser mais exato, 16 dólares. Não houve erro de digitação ou apuração, esse é, de fato, o valor que a dupla guardou nas mochilas para seguir viagem.
"Sim, 16 dólares. Vamos conseguindo o restante do dinheiro na estrada, com a venda de pulseirinhas e adesivos. Também contamos com a solidariedade das pessoas, muitas se interessam pelas nossas histórias e ajudam com alojamento, comida e água", revela Mario.
Enfrentar tamanho desafio, porém, tem um objetivo. No país de origem, os irmãos já participaram de vários projetos de cicloturismo. Percorrer a América do Sul é parte de um projeto maior que, futuramente, inclui escrever livros de viagem e produzir um documentário sobre os países percorridos.
No Mato Grosso do Sul, segundo eles, está uma das principais motivações dos cicloturistas, conhecidos por apreciarem a natureza. Nada melhor, então, do que as belas paisagens do Pantanal, com rica diversificação de fauna e flora. "Toda a região é linda, o Estado de vocês oferece paisagens incríveis. Aquidauana e Anastácio são cidades belíssimas, com uma população muito acolhedora", diz Mario.
Nas cidades vizinhas, a dupla conta com a ajuda do 1º Subgrupamento de Bombeiros, que ofereceu alojamento durante a estadia na região.
Cansaço psicológico
Na busca pelo objetivo, os 46 quilos de equipamentos que cada um dos irmãos carrega na mochila parecem não ser o maior obstáculo. "Pedalar com este peso nas costas cansa, claro, mas o desafio maior é psicológico. É preciso estar bem preparado, mentalmente e espiritualmente, para superar as adversidades que surgem no caminho", explica César.
Superar, por exemplo, a vontade de desistir. Sim, apesar de parte considerável da meta já ter sido cumprida, o pensamento surge, invariavelmente, entre os irmãos. Para Mario, que é casado e tem um filho, o desafio é dobrado. "Muitas vezes, principalmente quando não conseguimos alojamento, pensamos nisso. Quando estávamos no deserto do Atacama, chegamos a ficar dois dias sem comer. Mas a paixão pelo cicloturismo e a solidariedade das pessoas funcionam como combustível para seguirmos em frente", diz ele.
Com muitos quilômetros de experiência na bagagem, Mario e César se preparam para seguir viajando. Curiosamente, Anastácio e Aquidauana representam a simbólica marca de metade do objetivo cumprido, algo que, por si só, já tornaria a passagem pelas cidades vizinhas marcante. Porém, segundo eles, ver de perto as belezas do Portal do Pantanal revigora o ânimo e desperta ainda mais a paixão pelo cicloturismo, que será fundamental na busca pelos outros 16 mil quilômetros que virão.
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