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Aquidauana

Aeroclube de Aquidauana - 61 anos de história

No dia que marca os 120 anos de fundação de Aquidauana, uma reportagem sobre a escola de aviação local

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São mais de deis décadas formando pilotos que já sobrevoaram os céus pantaneiros e, hoje, têm nomes reconhecidos nacionalmente na aviação. Muitas lembranças e conquistas deixadas em páginas douradas dos livros da Princesa do Sul.
 
Criado no dia 18 de agosto de 1951, quando Mato Grosso ainda era estado uno, o Aeroclube de Aquidauana tem sido, desde então, a porta de entrada para o Pantanal. De lá saem inúmeros voos levando turistas para conhecer as belezas da região. Sua escola de aviação é considerada uma das mais importantes de Mato Grosso do Sul.
 
Com regularização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a entidade se tornou referência pela qualidade nas aulas práticas. No ano passado, cinco pilotos foram formados pela escola de aviação aquidauanense.
 
"O Aeroclube é considerado uma base estratégica, por estar localizado perto do Pantanal. Além da função de formar pilotos, tem um papel logístico importante na época das cheias, por exemplo?, lembra o tesoureiro do Aeroclube, José Antônio Piffer.
 
No período mais crítico da cheia do ano passado, quando o nível do Rio Aquidauana ultrapassou a marca de dez metros, cinco aviões foram enviados à escola de aviação para fornecer apoio logístico. A ação foi importante para garantir acesso às fazendas mais isoladas, onde o acesso por terra ficava impossibilitado.
 
História conservada
 
Até hoje, o livro que registra a fundação e algumas histórias do Aeroclube pode ser encontrado intacto, com a assinatura, inclusive, de todas as pessoas que acompanharam a primeira assembleia geral. Com capa preta, embalado em uma pasta, contém mais de 50 páginas devidamente numeradas e muito bem conservadas, apenas com as marcas inevitáveis dos quase 61 anos que se passaram.
 
Registra, entre outros, relatos da assembleia geral de fundação, realizada no prédio do Clube Feminino, então localizado na Rua Estevão Alves Corrêa. O evento contou com a presença dos organizadores do Aeroclube Civil de Aquidauana, em sessão presidida por José Alves Ribeiro. A Mesa foi composta por outros personagens importantes da região, como Moysés Albuquerque, Severino Carvalho de Toledo, José Márcio Teixeira, João Jorge Carneiro e Bichara Salamene, que levaram adiante a ideia de criar uma escola de aviação e participaram da eleição da primeira diretoria do Aeroclube de Aquidauana.
 
Todas as pessoas que acompanharam a assembleia geral de fundação deixaram suas assinaturas no livro. Muitas histórias das primeiras reuniões se misturam naquelas páginas.
 
Atualmente: momentos de dificuldade
 
A chapa Educação e Desenvolvimento, que está à frente do Aeroclube de Aquidauana no biênio 2011/12 (clique aqui para ver a composição completa), enfrenta momentos de dificuldade. Ou, na linguagem dos pilotos, turbulência. O atual presidente, Antônio Cicalise Neto, o vice-presidente, Carlos Cesar Cavalheiros, e demais integrantes da diretoria lutam para manter a estrutura exemplar que consagrou a escola de aviação como referência em Mato Grosso do Sul.
 
Segundo o tesoureiro da entidade, Piffer, o Aeroclube dispõe, atualmente, de apenas um avião - modelo C-172 Cessna. Porém, a aeronave está com problemas no motor e impossibilitada de levantar voo. "No momento, não temos condições financeiras para mandar revisar o motor. Já tentamos buscar apoio para resolver logo essa situação, mas ainda não conseguimos nada", lamenta Piffer.
 
A dificuldade pode ser explicada pelos outros gastos do Aeroclube de Aquidauana. Fundado com o objetivo principal de formar pilotos, é uma sociedade civil com patrimônio e administração próprios, serviços sociais e regionais. Não tem finalidade lucrativa, nem remunera seus dirigentes, direta ou indiretamente. Além disso, seus sócios solidários não respondem subsidiariamente pelos compromissos assumidos pela entidade.
 
Ou seja, ao arcar com os gastos das contas de energia, água, internet, seguros, pagamento dos funcionários, entre outros, não sobra dinheiro para poder fazer a revisão no motor do C-172 Cessna. Com as aulas práticas paradas, Piffer espera que essa situação possa ser resolvida o mais rápido possível. "Estamos dispostos a fazer parcerias para poder retomar as aulas. É uma situação difícil, mas só resta aguardar", completa.
 
Para tentar amenizar a crise financeira, diretoria e sócios se reuniram e, com recursos próprios, decidiram organizar um festival de prêmios. O evento será no próximo dia 20 de outubro, na Acenba, com prêmio de R$ 10 mil em dinheiro e cartelas sendo vendidas antecipadamente a R$ 12,00.
 
Entretanto, até lá, o C-172 Cessna segue encostado, na expectativa de que a situação melhore, para que possa levantar voo. Assim como já fizeram muitos pilotos que saíram de Aquidauana e sempre guardarão na memória os momentos de aprendizado que vivenciaram no Aeroclube local.

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