Morreu, na manhã de domingo (19), em Campo Grande, o ex-jogador aquidauanense Aquilino da Silva Maia, conhecido como "Nino". Ele tinha 72 anos e não resistiu a um AVC (acidente vascular cerebral).
Nascido no Bairro Guanandy, onde foi criado com mais dez irmãos, Nino era vascaíno fanático. Jogou profissionalmente nas décadas de 60 e 70, quando o futebol da Princesa do Sul tinha equipes como o Aquidauanense, Noroeste, Carlos Camisão e Esporte Clube Guanandy.
Centroavante clássico, canhoto, defendeu as cores do Aquidauanense, Atlético Ferroviário de Campo Grande, Inter de Limeira, Noroeste de Bauru, Sucre (Bolívia), entre outras equipes. Contabilizou diversas convocações para as seleções de Campo Grande e Mato Grosso.
Foi em uma dessas convocações, por sinal, que o centroavante aquidauanense viveu o auge da sua carreira. Bi-campeão mundial e com jogadores que formavam a base da Seleção Brasileira, o Santos veio até Campo Grande para enfrentar o selecionado da cidade morena. Em campo, craques como Mengálvio, Coutinho, Pepe, Gilmar e o Rei Pelé. O Santos venceu por 2 a 1, gols de Pelé e Mengálvio, para o Peixe, enquanto Nino descontou para o time de Campo Grande.
Apenas balançar as redes contra o melhor time da época, com o melhor jogador (Pelé) e o principal goleiro do País (Gilmar), já seria marcante. Mas não foi um gol qualquer, segundo o Seu Tomé da Silva Maia, irmão de Nino, contou à reportagem do site O Pantaneiro. "Meu irmão recebeu a bola à meia altura, na intermediária, dominou e já girou para acertar o chute. A bola morreu no cantinho, o Gilmar pulou, mas não teve nenhuma chance de defesa", recorda Seu Tomé.
A atuação contra o Alvinegro Praiano renderia a grande oportunidade na carreira de Nino. A equipe da Baixada formalizou proposta para contratar o centroavante, que recusou por conta de não querer deixar a namorada, que morava em Aquidauana. "O futebol ainda não oferecia tantas vantagens financeiras, mas jogar ao lado do Rei já seria uma boa vantagem, não?", diverte-se o Seu Tomé ao contar sobre a recusa do irmão.
A ficha do centroavante também inclui um jogo contra o Botafogo, na época em que os destaques eram ninguém menos do que Garrincha e Nilton Santos, craques do Glorioso e da Seleção.
Ao lado de jogadores como Wilson Linguiça, Orestes Toledo, Ailton, Dario Campelo, Nelson Toledo, Gato, Rui Brandão, entre outros, ele escreveu algumas das mais belas páginas do futebol da Princesa do Sul. Aposentado, tinha inúmeras histórias a serem contadas para os apaixonados pelo esporte bretão.
O corpo de Nino foi trasladado para Aquidauana. O enterro foi na manhã de segunda-feira (20), no Cemitério Municipal.