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Aquidauana

Ex-alunos das escolas GIC e Falcão promovem encontro saudosista

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Alguns alunos de 1973 e 1974 das escolas do GIC (Ginásio Imaculada Conceição) e Instituto Educacional Falcão decidiram organizar um encontro saudosista, que será realizado nesta sexta-feira (07).
 
A reunião será na casa da colega de turma Celina Quelho, com a presença de ex-alunos vindos de outras cidades, como Juliene Souto (Goiânia) Evaldo Gaeta (São Paulo), Márcia Patinho (Paranaíba), Ibraim Ayach e Márcia Rita Trindade (Campo Grande), além dos que residem em Aquidauana, como Flávio Girard, Almir Periano, entre outros.
 
"O motivo do reencontro é um brinde a cada um de nós que buscamos nosso futuro fora de nossa querida Aquidauana, mas sempre voltando ao coração de mãe que a cidade nos oferece", destaca Flávio, que escreveu um texto especial para celebrar o encontro.

Leia, abaixo, o texto na íntegra.
 
O Tempo, dando uma brecha.
 
Somos aquele guri, aquela guria, lindamente irresponsáveis pelo tempo, que justamente por passar lento, nos deixa saborosamente, irresponsáveis...
 
Mas com a graça da isenção das responsabilidades, que com o tempo hão de chegar justamente porque o tempo há de passar, e o tempo... Ah! Ele passa!
 
Hoje continuamos o mesmo guri, guria que o tempo ao passar, moldou conforme sua vontade, transformando nossa realidade deliciosamente irresponsável, para, pasmem! Tanta responsabilidade, pelos atributos e tributos que a vida nos cobra implacável, pelas diretrizes tomadas, justamente por querermos ser responsáveis, onde JAMAIS fomos tão assim!
 
Quando crianças, sorriamos e chorávamos, e o piscar de olhos marejados de lágrimas que escorriam, marcando de poeira a pele alva, fazendo colares em nossos pescoços e almas, e o tempo? Ah! Ele despacha!
 
Tanto tempo se passou! Moldou-nos, torceu, entortou e desentortou mediante cada tropeço ou acerto em atitudes nossas, em cada passo que demos e a cada engasgar com os adventos, que justo da linda e inocente estação criança instalada em nós que mesmo sem ser, fomos e éramos perpetrados Serezinhos, lindamente irresponsáveis, mas o tempo? Como passa!
 
Passa e inexoravelmente marca, tange, ferra e molda o ser! Que há muito pouco era um menino, uma menina... juntos ao tempo que passou!
 
Veio a adolescência, e a aborrescencia, vem a formação acadêmica que nem sonhamos mas já aspirávamos, pois a formação endêmica individual, inviolável própria, esta sim,veio incrustada em nosso SER, moldada e lapidante pelos ensinamentos morais de nossos queridos pais, que não mediram tempo e o tempo, de mãos dadas, passa, e nos mandou para um futuro que teríamos  e queríamos a todo custo... Tornar-nos o EU, maior e RESPONSÁVEL! Sermos o pai e a mãe de família, o EU com resplendor e coragem de bater no peito e chamar as responsabilidades para despencarem sobre nossas cabeças, e tenho, tínhamos e teremos a ousadia, sem querer ousar, mas tendo de chamar o tempo de MEU TEMPO, e a seu tempo, passar.
 
E o tempo passou incrivelmente rápido, lindo e fatal. Fizemo-nos famílias, o homem da casa, a mãe amorosa e querida que no tempo recente, de um passado tão presente, mas longínquo; nós éramos o filho ou a filha, mas ao juntarmo-nos ao TEMPO, firme e fiel aliado, junto a nós, passou! 
 
Hoje olhamos pra trás e vemos não um passado, mas o futuro, pois este mesmo tempo que não passava, era apressado, e... nos preparou tão bem equilibrados entre ser o filho e o pai.
 
Éramos a criança e agora somos os guias de nossas crias! 
 
Fica lindo pensar que não tínhamos tempo... Imaginem se tivéssemos o poder de o tempo parar.
 
E o tempo que passa, dá voltas no passado e nos trouxe ao presente. 
 
Presente este que se torna um presente do passado, que ao nos lapidar lá atrás, nos fez o homem e a mulher do futuro que se encontram neste dia para juntos, nós e o tempo, de mãos dadas e olhos a lacrimejar, dizermos a uma só voz, que mesmo sem termos tempo de parar o tempo estamos a brilhar, antes como pequenas faíscas tentando se achar neste cruel mundo que o tempo faz passar, e hoje, somos estrelas de nossos filhos, e quiçá de nossos netos e poder a eles também orientar.
 
E o tempo? 
 
Que tempo? Se nossas memórias estão tão vivas como se o ontem fosse o hoje e o passado que não passou, pois entalhado e impregnado de amor saudosista, não piegas... mas um amor caloroso de uma amizade imensa que nem o tempo e a distância fez deixar de brilhar e mesmo nos afastando, trouxe-nos a nos abraçar.
 
Eita saudade linda e benfazeja, de tão real que se possa tocar e lembrar que o tempo foi sim generoso e sábio conosco, dando, enfim, tempo de reencontrar meus queridos amigos e irmãos, amiguinhos de uma infância tão longe e tão viva, ofereço hoje o MEU TEMPO, que antes, moleques, queríamos matar, mas sabiamente, ele nos criou bem ao seu tempo.
 
Dedicado a vocês, meus queridos irmãos, como se cada um falasse ao outro.
Flávio Girard Carneiro- 07 setembro de 2012.

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