A cidade de Aquidauana receberá os treinamentos do 17º Contingente Brasileiro da Companhia de Engenharia de Força de Combate, comandado pelo tenente-coronel Francisco Alexandre do Couto da Paixão. Os exercícios começam nesta segunda-feira (01º) e vão até o dia 26 de outubro.
O contingente será preparado para a Minustah (Missão Para Estabilização do Haiti) e terá a presença de 250 militares, vindos de mais de 90 organizações militares brasileiras. Com exceção de São Paulo, todos os demais estados estarão representados na Princesa do Sul.
Toda a estrutura do 9º Batalhão de Engenharia de Combate - Batalhão Carlos Camisão -, comandado pelo tenente-coronel José Henrique Araújo dos Santos, estará à disposição da tropa. Segundo o tenente-coronel Couto, grande parte das instruções será realizada no quartel, mas também haverá atividades externas.
"Serão três fases de treinamentos em Aquidauana. Nas duas primeiras semanas, iremos realizar instruções de nivelamento, dentro da área do Batalhão. A terceira semana consiste no chamado Exercício Básico de Operação de Paz, onde, além das atividades internas, passaremos a desenvolver instruções também na cidade", explicou o comandante do 17º Contingente.
As atividades realizadas nas ruas incluem blitzes - com apoio da Polícia Militar - em áreas menos movimentadas, reforma em creches e postos de saúde, simulações e movimentações de tropa a pé e motorizadas. Os armamentos utilizados pelos militares nas atividades externas estarão municiados com cartuchos de festim, para não oferecer perigo à população. O objetivo dessa fase é preparar a tropa para as operações nos moldes das situações quem podem ocorrer no Haiti.
Segundo o tenente-coronel Couto, os 250 integrantes do 17º Contingente participaram de um processo de seleção, que contou com a participação de mais de 2 mil militares. Como é necessária a presença de militares com habilidades específicas, o processo seletivo é bem amplo. "Nosso contingente será formado por 244 militares do sexo masculino e seis do sexo feminino. As mulheres irão trabalhar nas áreas da saúde, relações públicas e intérprete".
Dez militares do Batalhão Carlos Camisão irão integrar a tropa, que passará aproximadamente seis meses no Haiti. O primeiro escalão de embarque está marcado para o dia 07 de novembro.
Escolha de Aquidauana
O tenente-coronel Couto elogiou as instalações do 9º BE Cmb e destacou que vários fatores foram levados em conta para que a cidade pudesse receber pela oitava vez os treinamentos da Força de Paz.
"Temos a área de instrução Sargento Ribeiro Pires, o lago do quartel, o clima da cidade, que é parecido com o do Haiti. São aspectos que contribuíram para que Aquidauana fosse novamente escolhida, mas, no futuro, os treinamentos serão mais bem distribuídos pelo país", adiantou.
Apoio familiar
O Exército Brasileiro desenvolveu o chamado Núcleo de Apoio à Família, para prestar o apoio necessário aos familiares do contingente. O objetivo é proporcionar a tranquilidade durante o período em que eles ficarão longe da família.
Além disso, o Exército garante ligações via telefone e acesso à internet, para que as famílias possam manter contato com os militares. A orientação é apenas para que as postagens via rede social sejam controladas, evitando expor a tropa e os familiares às situações de risco.
Minustah
A participação do Brasil na Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti demonstra a importância que o país atribui ao fortalecimento do multilateralismo e da Organização das Nações Unidas, à cooperação sul-sul, à integração da América Latina e à solidariedade como princípio de ação internacional.
O Brasil assumiu em 2004 a liderança da Minustah, com o envio do maior contingente militar e do ?Force Commander? da Missão. Desde então, a presença das tropas brasileiras têm sido importantes para a melhora das condições de vida no Haiti, país mais pobre da América.
O terremoto de 2010, com magnitude de 7,0 na escala de Richter, devastou o país e interrompeu muitos avanços. A atuação dos militares brasileiros contribui para o processo de reconstrução do país.
Nos próximos anos, conforme o progresso da Minustah, a tendência é que o efetivo brasileiro no Haiti seja reduzido.