Durante as aulas do Proerd (Programa de Resistência às Drogas e à Violência), a instrutora PM Jaqueline, do 7º BPM (Batalhão de Polícia Militar), descobriu que uma aluna de apenas sete anos estava sendo aliciada pelo padrasto. Ela ministrava para alunos do 5º ano - faixa etária entre 10 a 14 anos - de uma escola municipal, onde falava justamente sobre a importância das crianças e adolescentes serem amigos da PM e, em qualquer situação de perigo ou violência, procurarem a própria polícia ou as autoridades responsáveis.
No intervalo, algumas crianças procuraram a instrutora e contaram a respeito de uma menina de sete anos, também aluna da escola, que estava sofrendo violência sexual em casa. Diante da gravidade do relato, a PM Jaqueline identificou a vítima e ganhou a confiança dela, que passou a contar os abusos que sofria de seu padrasto. A garota disse que era aliciada por ele longe dos olhares da mãe e não comentava nada sobre o assunto, pois sofria ameaças e também porque a mãe dela gostava muito do seu padrasto.
Com todo o cuidado para preservar a vítima, a policial procurou a direção da escola e o Conselho Tutelar do município, orientando a menina a tomar certas atitudes para não ser novamente molestada. Enquanto isto, a Polícia Militar e a Polícia Civil, juntamente com o Conselho Tutelar, montaram uma operação para encontrar o autor e não lhe dar oportunidade de fuga, pois sua residência fica em uma propriedade rural, na área de atuação do 7º BPM.
A equipe foi até a propriedade e encontrou o homem, 31 anos, que tentou despistar com um nome falso e ainda entrou em contradição com a própria amásia, também ouvida pelos policiais. Ele tinha um mandado de prisão em aberto, da comarca de Ponta Porã, e, num primeiro momento, negou os fatos relatados pela vítima.
Na Delegacia de Polícia Civil, porém, o homem acabou confessando que aliciava a sua enteada e o fazia longe dos olhos de sua amásia, mão da garota. Ele foi enquadrado no crime de estupro de vulnerável e ainda responderá pelo crime de homicídio (mandado de prisão).
Importância do Proerd
A instrutora Jaqueline disse que o Proerd possibilita a aproximação da criança e é uma ferramenta muito importante na formação e na segurança de crianças e adolescentes. Através do Proerd, segundo ela, o policial militar se torna amigo e ganha a confiança da criança.
?Ao mesmo tempo em que o caso me chocou muito, pois também sou mãe, por outro lado fiquei muito feliz de conseguir identificar esta violência contra uma criança indefesa e possibilitar que um criminoso fosse colocado atrás das grades, pela covardia cometida contra uma criança?, relatou.
O 7º BPM não divulgou a cidade onde ocorreu o caso, para preservar a vítima. A área de atuação da Unidade compreende os municípios de Aquidauana, Anastácio, Miranda, Bodoquena e Dois Irmãos do Buriti, além dos distritos de Palmeiras, Cipolândia, Piraputanga, Camisão, Taunay e Morraria do Sul.