Ainda era o início do século XX, mais precisamente 1908, quando o navio Kasatu Maru aportou em Santos, no litoral paulista, trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao país. Foi exatamente naquele ano que o casal Seiko Oshiro e Carmen Oshiro chegou ao Brasil e passou a fazer parte da rica história da maior população japonesa fora do Japão.
Em terras brasileiras, mas sem esquecer das origens, o casal se estabeleceu e teve sete filhos: Luiza Oshiro, Luiz Oshiro, Roberto Oshiro, Jorge Oshiro, Helena Hatame Oshiro, Elza Oshiro e Rosa Oshiro. O local escolhido para morar foi a pacata Aquidauana, interiorana, com uma tradicional colônia japonesa.
Entre as filhas, Luiza, nascida em 18 de junho de 1943, era muito conhecida e querida na cidade. A notícia da
morte da comerciante, vítima de complicações pós-operatórias do coração, no domingo (31), fez com que os moradores da Princesa do Sul amanhecessem mais tristes.
Desde 1962, ano da inauguração do Mercado Municipal, um dos lugares históricos da cidade, ela mantinha uma banca de verduras no estabelecimento. Para quem chega pela Rua Bichara Salamene, em frente à Estação Ferroviária, era Luiza a primeira pessoa que iria encontrar.
De um temperamento tranquilo, cordial, ela sempre foi uma referência no Mercadão, quer seja no atendimento aos fregueses ou mesmo na qualidade dos produtos que vendia. Na década de 70, ficou marcada por servir almoço a pessoas que frequentavam o estabelecimento. A comida era preparada na lanchonete de suas irmãs Helena e Elza, que até hoje trabalham no mesmo local.
São muitas pessoas, muitas mesmo, que têm Luiza como a referência nessa época que foi o auge do Mercado Municipal, da feira boliviana e do trem de passageiros lotado, uma Aquidauana e outrora.
Em meio a muita consternação, diante da presença de um grande número de parentes, amigos e descendentes da colônia japonesa local, ela foi enterrada às 11 horas desta segunda feira (01º), no Cemitério Municipal de Aquidauana. Chega-se assim, com tristeza, ao fim da presença de um símbolo não apenas do Mercadão, mas também do comércio aquidauanense.