X

O IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) fez a primeira certificação do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) voltada exclusivamente aos povos indígenas. Trinta estudantes da etnia terena receberam os certificados do curso de Agricultor Agroflorestal, oferecido pelo campus de Aquidauana. A certificação ocorreu na escola da comunidade Mãe Terra, localizada na Terra Indígena Cachoeirinha, em Miranda.
 
Na cerimônia, apresentada na língua terena e em português, o pajé deu as boas-vindas aos convidados e abençoou os estudantes. Os indígenas também fizeram apresentações musicais para celebrar a certificação.
 
A reitora do Instituto, Maria Neusa de Lima Pereira, estava presente. ?Vocês estão recebendo o certificado do IFMS e espero que sejam egressos por pouco tempo. A instituição tem todas as condições de voltar para oferecer outros cursos nas aldeias?, comentou.
 
Também participaram da cerimônia o diretor-geral do campus de Aquidauana, Delmir da Costa Felipe, o coordenador-geral do Pronatec no IFMS, Marcelo de Oliveira, além de gestores e lideranças indígenas e parceiros na oferta do curso.
 
Qualificação
 
A oferta do curso foi um complemento ao Projeto de Gati (Gestão Ambiental e Territorial Indígena), desenvolvido desde 2012 pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em seis terras indígenas de Mato Grosso do Sul.
 
Com carga horária de 200 horas e oferecido na modalidade FIC (Formação Inicial e Continuada), o curso começou em abril e foi ministrado aos finais de semana nas aldeias Argola, Babaçu, Cachoeirinha, Lagoinha e Mãe Terra. Dos sete professores, quatro eram indígenas.
 
O projeto de qualificação foi elaborado com a ajuda dos indígenas. ?As reuniões tiveram início em 2012, quando eles começaram a definir qual curso seria oferecido, o conteúdo e a metodologia a ser aplicada?, explicou o professor do IFMS e supervisor do curso, Aislan Vieira de Melo.
 
Além de português, matemática e empreendedorismo, os terenas receberam informações sobre cultivo de espécies florestais e agrícolas e SAFs (Sistemas Agroflorestais), em que várias culturas são cultivadas no mesmo espaço para melhorar o meio ambiente. O processo inclui ainda o uso de adubo verde e de sistemas agroecológicos de proteção.
 
?Com recursos do Pronatec, o IFMS custeou o pagamento das bolsas aos professores, a assistência estudantil para ajuda em gastos com alimentação e transporte, a oferta do kit escolar, que inclui uniforme e materiais como pasta e caderno, além da aquisição de ferramentas e sementes?, afirmou o coordenador-geral do Pronatec, Marcelo de Oliveira.
 
A parceria com o Projeto Gati possibilitou recursos para parte do deslocamento dos professores, alimentação complementar e pagamento de cozinheiras.
 
Tradição e técnica
 
Arildo Cebalho, 40, estudou até o 4º ano do ensino fundamental e foi um dos terenas que receberam o certificado de agricultor agroflorestal. Mesmo com a experiência de cultivar a terra desde a infância, aprendeu novas técnicas.
 
?Aprendemos, por exemplo, a analisar as condições do solo e a irrigar da forma certa. Aqui, nós aguamos no pé da árvore, o que é errado. É preciso regar onde estão as raízes que vão levar a água até a planta. Aprendemos também a preservar as sementes nativas na hora da coleta e a fazer o composto da terra para ter uma boa muda?, relatou Cebalho.
 
Nas aulas práticas, os professores apresentavam novas técnicas de cultivo, mas também ressaltavam a experiência dos indígenas com a terra.
 
?O indígena já trabalha a terra de forma sustentável. No curso, eles viram que os sistemas agroflorestais trazem a natureza para dentro da roça. Foi possível casar novas técnicas com o conhecimento tradicional dos indígenas?, comentou a colaboradora do projeto Gati, Graziella Reis de Santana.
 
Três indígenas de uma mesma família receberam os certificados de agricultores agroflorestais. Cada um tem a própria lavoura, mas todos comercializam as produções de abóbora, mandioca, feijão-de-corda, maxixe e batata-doce em Miranda e Campo Grande.
 
?No curso, a gente teve acesso a novas tecnologias. Já temos a experiência de cultivar e, agora, ganhamos mais conhecimento?, destacou Inácio Faustino. O terena fez o curso ao lado do filho, Ângelo Faustino, e do genro, Rosenildo Candelário.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Escola de Anastácio promove aula temática sobre cultura pantaneira

Educação

Escola de Anastácio promove aula temática sobre cultura pantaneira

Atividade reuniu estudantes em uma experiência de valorização dos costumes e saberes regionais; proposta aproximou educação, cultura e comunidade dentro da escola

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo