Ele deixou a cidade de Aquidauana, no dia 28 de novembro do ano passado, com o objetivo de realizar uma grande expedição pelo litoral brasileiro. Mas, ao mesmo tempo, dizia que pretendia "desprezar" as grandes cidades e conhecer lugares diferentes deste país tão belo, de extensão continental, como fazem os "overlands". Foram datas importantes passadas longe da família, que, por sinal, o apoiou desde o momento em que decidiu pela viagem.
Depois de 55 dias, enfim, o retorno, com a certeza de que valeu à pena cada um dos 10.345 quilômetros de expedição, cumpridos a bordo de uma caminhonete Toyota/Hilux, de cor cinza, devidamente equipada com os artigos necessários para uma aventura deste tipo. Kleber Maggi, proprietário da Fazenda Crioula, no distrito de Piraputanga, contou, ao longo do percurso, com companhias diferentes - um amigo carioca, um gaúcho e um paranaense também integraram a viagem, cada um em um trecho.
Acostumado com as trilhas pantaneiras, o fazendeiro diz que a experiência vivida durante quase dois meses foi totalmente diferente. Ele procurou priorizar os "outsides", lugares exclusivos para trilhas 4x4, com o uso de um GPS que apontava as regiões a serem visitadas.
Os únicos pontos fora do litoral foram o Parque do Jalapão, no Tocantins, e a Chapada Diamantina, no coração da Bahia. Esta última, por sinal, chamou bastante a atenção de Kleber. "Gostei muito da Chapada Diamantina e das praias do Nordeste, em geral, especialmente as da Bahia, de Alagoas e do Pernambuco. Os Lençóis Maranhenses também merecem destaque, são muito bonitos?, elogia.
O aquidauanense também visitou o Projeto Tamar, na Bahia, onde presenciou de perto o nascimento de tartarugas marinhas, além dos Projetos Cavalo Marinho, no Pernambuco, e Peixe-Boi Marinho, na Paraíba. "Foi uma emoção muito grande ver um peixe-boi de 300 quilos", recorda.
Se os lugares visitados foram momentos únicos, Kleber teve de superar a saudade da família e dos amigos, passando três datas muito importantes a centenas de quilômetros de distância. Além do Natal e do Ano-Novo, ele também comemorou o seu aniversário no dia 21 de dezembro. "A gente sempre se comunicava por meio de telefone e WhatsApp, eu enviava as fotos para meus familiares e amigos. Mas fiquei feliz, o pessoal deu força e gostou muito do resultado da minha viagem".
Planejamento
Se o resultado foi positivo, muito se deve ao planejamento seguido à risca por Kleber Maggi, que organizou tudo com bastante antecedência. A ideia de realizar a expedição surgiu há mais de seis anos. O incentivo foi ainda maior ao receber em sua fazenda, em setembro do ano passado, a visita do
casal catarinense Roy Rudnick e Michelle Weiss, que viaja o mundo de carro.
"Eu pesquisei muito antes de viajar, principalmente com relação aos hotéis. Foram 2/3 dos dias em camping e 1/3 em hotéis ou pousadas. Para quem quer fazer viagens desse tipo, é preciso planejar com antecedência e procurar inspiração para ajudar a atingir o resultado esperado. Posso dizer que compensa ir de carro e dá, sim, para andar barato, com conforto e segurança", ensina.
Pantaneiro legítimo
Antes de viajar, Kleber colocou vários adesivos na caminhonete, com uma série de referências ao Pantanal. O veículo chamou a atenção por onde passou e rendeu incontáveis perguntas sobre aquela que é uma das maiores e mais bonitas extensões alagadas contínuas do planeta. "A gente montou o carro e os equipamentos da mesma forma que acontece quando andamos no Pantanal", conta o legítimo pantaneiro.
Com 55 dias vividos de forma tão intensa, era hora de retornar para Aquidauana, município localizado em uma das regiões mais bonitas do Pantanal. Afinal, depois de tanto tempo, nada melhor do que matar a saudade da esposa, Vanessa, da filha, Yasmin, e dos demais familiares e amigos que apoiaram a jornada. E ficar ainda mais animado para outras aventuras que estejam por vir, sejam elas nas trilhas pantaneiras ou em algum lugar do vasto litoral brasileiro.