Nesta semana, o prefeito de Aquidauana, Zé Henrique Trindade, recebeu na sede da Prefeitura Municipal os representantes da classe médica do Hospital Regional de Aquidauana, para uma reunião agendada pelo próprio chefe do Executivo, cuja pauta foi a carta aberta assinada pelos médicos informando sobre a possibilidade de paralisação dos serviços e reivindicando, dentre outras coisas, o pagamento dos salários atrasados.
Também estiveram presentes, a convite do prefeito Zé Henrique, a diretora administrativa do Hospital, Ana Lúcia Alves Corrêa, o procurador geral do Município, Heber Seba Queiroz, o gerente de Saúde, Dufles Pinto de Souza, o gerente de Governo, Moacir Pereira de Melo, o promotor de Justiça, José Maurício Albuquerque, representando o Ministério Público Estadual, além de representantes da Câmara Municipal de Aquidauana, do Conselho Municipal de Saúde e a secretária municipal de Saúde do Município de Anastácio, Marlene Carlos da Silva.
De início, foram pontuadas algumas questões pelo prefeito municipal, fazendo questão de frisar aos presentes o compromisso da Administração Municipal com o Hospital Regional, citando como parâmetro a quantia de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) que fora repassada ao Hospital, proveniente de recursos próprios da Prefeitura Municipal, isso somente entre os dias 20/12/2014 a 23/01/2015.
Também foi lembrado pelo prefeito municipal que o problema do hospital deve ser encarado como ?crônico?, e que vem se avolumando há muito tempo, antes mesmo do ano de 2006, época em que ocorreu a intervenção da Prefeitura na administração do Hospital.
Diante dessa colocação, os presentes foram unânimes em concordar com Zé Henrique, a começar pelo promotor de Justiça, José Maurício de Albuquerque, que defendeu a ideia de se investigar a origem do problema, comprometendo-se a buscar ajuda junto à Procuradoria de Justiça do Estado no sentido de sugerir a instauração de um procedimento para envolver não somente Aquidauana no problema, mas também os municípios que fazem parte da macrorregião, sendo eles Anastácio, Miranda, Bodoquena, Dois Irmãos do Buriti e Nioaque.
Esses municípios citados atualmente contribuem muito pouco financeiramente, se considerados os números de atendimentos realizados pelo Hospital de pacientes provenientes daquelas cidades, acabando por sobrecarregar o Município de Aquidauana, sendo esta a situação, na opinião de todos, que também deve ser corrigida.
Pelos médicos, o Dr. Carlos Nunes externou suas considerações e opiniões, abonando o fato do problema não ser da atual Administração, que unicamente herdou o problema resultante de anos de má gestão no Hospital, além de alertar que a saúde pública está ?doente? em todos os municípios do Estado, de forma que a situação da saúde pública é cada vez mais crítica diante dos repasses da União e dos Estados, que não é suficiente para atender a demanda por serviços de saúde, que cresce dia a dia.
A busca de outras fontes de recurso para manutenção do Hospital também será prioridade para o prefeito Zé Henrique, que buscará novos recursos, tanto a nível Federal e Estadual, a serem gastos na garantia do serviço em saúde e na melhoria do atendimento.
Outro fato considerado na reunião foi o preço dos serviços tabelados pelo SUS, que estão muito aquém e defasados, sendo que o último reajuste aconteceu no ano de 1992, portanto, há mais de 20 anos.
?Tocar o Hospital com poucos recursos recebidos é inviável, e o que mais me preocupa e quem sente é a população que necessita do atendimento de qualidade, até mesmo porque quem procura o Hospital é porque está sentido alguma dor ou está atravessando algum problema de saúde", destacou o prefeito Zé Henrique, que se comprometeu a, pessoalmente, agendar reunião com o governador Reinaldo Azambuja, para solução do problema. "O governador irá nos atender e olhar pelo Município de Aquidauana. Vou convidar também os prefeitos dos outros municípios atendidos pelo Hospital, para que juntos possamos equacionar o déficit financeiro que mensalmente se verifica nas contas do Hospital", concluiu o prefeito.
Finalizou o prefeito pedindo que os médicos tenham um pouco de paciência e reavaliem o início da greve marcada para o dia 13 de fevereiro próximo, exatamente para que a população não seja prejudicada e que se possa buscar, junto ao Governo do Estado, a ajuda necessária para continuidade aos serviços de saúde do Hospital.